Dólar sobe e fecha em R$ 5,86, maior patamar da história. Bolsa cai 1,51%

Bruno Rosa
O dólar fechou na máxima histórica, cotado a R$ 5,86.

RIO - As especulações em torno da reunião do conselho de ministros do último dia 22 de abril, no qual o presidente Jair Bolsonaro teria defendido trocas no comando da Polícia Federal no Rio para evitar que familiares e amigos fossem prejudicados por investigações em curso, afetou em cheio o mercado financeiro. O dólar fechou na máxima histórica, cotado a R$ 5,86, com alta de 0,86%. Ao longo do dia, por volta das 16h, a divisa bateu outro recorde ao marca R$ 5,88. Até então, a maior cotação havia sido na última quinta-feira, a R$ 5,84.

A aversão a risco também afetou os negócios na Bolsa de Valores de São Paulo (B3). O pregão, que estava no terreno positivo, não resistiu às especulações políticas, e fechou em queda de 1,51%, aos 77.871,95 pontos.

O estresse nos mercado é causado em torno do vídeo da reunião do conselho de ministros do último dia 22 de abril, no qual o presidente Jair Bolsonaro teria defendido trocas no comando da Polícia Federal no Rio para evitar que familiares e amigos fossem prejudicados por investigações em curso.

Segundo Álvaro Bandeira, economista-chefe do banco Modalmais, a alta do dólar e a queda na Bolsa ganharam força após o  advogado do ex-ministro da Justiça Sergio Moro defender a divulgação na íntegra do vídeo da reunião ministerial na qual o presidente Jair Bolsonaro teria cobrado mudanças na Polícia Federal (PF) e o teria ameaçado de demissão caso não concordasse.

—  Isso gerou uma volatilidade no mercado, fazendo o dólar subir e a Bolsa cair. Até então, estávamos no movimento inverso — disse Bandeira.

Envie denúncias, informações, vídeos e imagens para o WhatsApp do Extra (21 99644 1263)

Analistas destacaram a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) publicada nesta terça-feira. Eles pontuaram a indicação de uma retomada gradual da economia no terceiro trimestre.

Nos EUA, o destaque é a divulgação  do índice de preços ao consumidor em abril, que apontou a maior queda desde a Grande Recessão.  O Departamento do Trabalho informou nesta terça-feira que seu índice de preços ao consumidor recuou 0,8% no mês passado após queda de 0,4% em março. O recuo ocorreu por conta da menor  demanda por gasolina e uma série de serviços, incluindo viagens aéreas.

E, mais uma vez, as expectativas de reabertura gradual na economia dos EUA, influencia positivamente os índices americanos. O Dow Jones sobe 0,20%, assim como a Nasdaq (+0,34%) e S&P (+0,06%)

Mas na China, o índice acionário de Xangai terminou em baixa com os temores de uma segunda onda de infecções por coronavírus e com a maior queda em quatro anos nos preços ao produtor da China em abril como reflexo do impacto econômico da pandemia.

O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, ficou estável, enquanto o índice de Xangai teve recuo de 0,11%, reduzindo algumas perdas depois de ter caído 0,59% mais cedo.