Dólar sobe para R$ 5,68, maior valor desde maio

·5 minuto de leitura
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, BRASIL - 09-05-2015 - BM & F Bovespa Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Diego Padgurschi /Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, BRASIL - 09-05-2015 - BM & F Bovespa Bolsa de Valores de São Paulo. (Foto: Diego Padgurschi /Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar segue em alta com a segunda onda de coronavírus na Europa. Nesta terça-feira (27), a moeda americana subiu 1,24% para R$ 5,683, maior valor desde maio, mês em que chegou ao recorde de R$ 5,90. O turismo está a R$ 5,83.

Em outubro, o dólar acumula alta de 1,16%, após subir 2,56% em setembro e 5% em agosto, segundo dados da CMA.

A alta neste pregão reflete preocupações de investidores com a disseminação da Covid-19, a negociação de estímulos nos Estados Unidos e a aproximação das eleições americanas, em meio ainda a uma preocupação com o cenário fiscal do Brasil.

O Ibovespa caiu 1,4%, a 99.605 pontos, pressionado pela forte queda de bancos e Petrobras, em uma realização de lucros após altas expressivas destes papéis na semana passada.

Dólar sobe 1,2% e vai a R$ 5,683 nesta terça (27) Jorge Araújo / Fotos Públicas cédulas de dólar **** A dívida pública federal brasileira registrou aumento de 2,6% em um mês e passou a marca de R$ 4,5 trilhões em setembro. Diante de incertezas de investidores, o custo médio para o Tesouro Nacional aumentou e o prazo médio para o país honrar compromissos diminuiu.

Em reflexo, a moeda brasileira se desvaloriza em relação ao dólar. Nesta sessão, o real teve o pior desemprenho dentre pares emergentes.

Além disso, o aumento da aversão a risco global também eleva a busca por dólares, valorizando sua cotação.

Investidores acompanham a disputa entre o atual presidente americano, Donald Trump, e seu adversário democrata, Joe Biden, bem como sinais de possíveis medidas de auxílio fiscal que poderiam ser adotadas depois que os americanos forem às urnas na próxima semana.

Mesmo depois que um pacote anterior expirou, em julho, as autoridades da Casa Branca e Congresso dos EUA passaram os últimos meses sem conseguir chegar a um acordo sobre mais medidas de combate à pandemia, levantando dúvidas sobre a recuperação do emprego e da atividade empresarial da maior economia do mundo.

Trump reconheceu nesta terça que o pacote provavelmente virá após as eleições de 3 de novembro.

Enquanto, isso, a Covid-19 continua se espalhando pelos EUA, gerando temores sobre a imposição de restrições à atividade em algumas partes do país. Na Europa, vários países estão registrando números recordes de infecções, com as autoridades da França buscando opções a lockdowns mais rigorosos.

"A segunda onda [de coronavírus] deixou o mercado muito instável. Em caso de novos lockdowns, as grandes economias vão sofrer muito mais e ter mais gastos", disse Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora.

O índice Dow Jones caiu 0,8% e o S&P 500, 0,3%, enquanto Nasdaq subiu 0,6% antes dos resultados das grandes empresas de tecnologia, que serão dvulgados nesta quinta (29).

As ações da Microsoft subiram 1,5%, a US$ 213, antes da divulgação de seu resultado trimestral.

Os pregões na Europa tiveram uma sessão negativa, com o índice londrino FTSE 100 fechando em queda de mais de 1%.

No Brasil, além das dúvidas sobre como o governo conciliaria seu projeto de auxílio -batizado de Renda Cidadã- a um Orçamento apertado, impasses políticos em Brasília, atrasos na agenda de reformas estruturais e um ambiente de juros extremamente baixos têm sido apontados como fatores de impulso para o dólar nos últimos meses.

"O lado político está em marcha lenta, não está com pressa de votar coisas importantes. Tudo isso, de qualquer forma, está pendurado no preço [do dólar]", completou Galhardo.

Nesta terça-feira, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) deu início a sua reunião de decisão de juros, cujo resultado será divulgado na quarta (28). A expectativa é de que o Copom mantenha a taxa Selic em sua mínima histórica de 2%.

"O primeiro dia de reunião do Copom traz à autoridade monetária o desafio de alterar seu discurso insistente de abertura de espaço para futuros cortes de juros e definir por um 'fechamento definitivo da porta' no curto prazo, em meio aos desafios tanto inflacionários quanto fiscais", afirmou Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset.

O patamar da taxa de juros tem influência sobre o mercado de câmbio, uma vez que dita a rentabilidade de ativos brasileiros atrelados à Selic, afetando a entrada de investidores no Brasil e, consequentemente, o fluxo de dólares.

Na Bolsa brasileira, a maior queda foi da Embraer, com recuo de 6,25%, no segundo pregão seguido de baixa, devolvendo boa parte da recuperação dos papéis na semana passada, quando acumulou elevação de 9,58%. No ano, o declínio dos papéis alcança 67%, em meio aos efeitos da pandemia de Covid-19 no setor aéreo, bem como fracasso no acordo com a Boeing. A Embraer divulga balanço em 10 de novembro.

A segunda maior baixa foi do Santander Brasil, cujos papéis caíram 4,7%, a R$ 33,27, na sessão após acumular alta expressiva antes da divulgação de seu balanço.

"Em clássico movimento de 'compra no boato, vende no fato', no caso compra múltiplos baratos e um exagero do mercado com relação as provisões, os bancos lideraram as perdas mesmo após o resultado forte do Santander. Além da arrancada desde o começo do mês, que reduziu o apetite por uma compra e abriu caminho para uma realização de lucros o, mercado não está tão certo sobre a manutenção da redução do nível de provisão (que deve ser visto entre os outros bancos) e que já chegamos no topo do nível de inadimplência", diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora..

O Itaú Unibanco perdeu 2,85%, também corrigindo parte de alta recente, enquanto Bradeesco, que divulga balanço na quarta, encerrou em baixa de 2,8%. Banco do Brasil recuou 2,15%.

A Localiza avançou 2,67% antes do balanço no final desta terça, puxada pelo forte resultado da rival Unidas, que não está no Ibovespa e subiu 3,24%, após divulgar alta de 41,8% na receita líquida do terceiro trimestre frente ao mesmo período do ano anterior, para R$ 1,18 bilhão de reais, enquanto o lucro líquido recorrente subiu 2,3%, para R$ 40,1 milhões de reais.

Já as ações da Petrobras recuaram 1,83% (preferenciais) e 1,68% (ordinárias), respectivamente, apesar da melhora dos preços do petróleo no exterior, com agentes financeiros na expectativa do balanço da petrolífera nesta semana.