Dólar perde fôlego após superar R$5,21, mas tem instabilidade com Powell e Campos Neto no radar

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Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) -O dólar perdeu ímpeto depois de ter chegado a superar os 5,21 reais mais cedo nesta quinta-feira, com o patamar elevado atraindo vendedores, embora a moeda mostrasse volatilidade conforme investidores acompanhavam falas do chair do Federal Reserve, Jerome Powell, e do presidente do Banco Central do Brasil.

Também continuavam sob os holofotes temores globais de recessão e incertezas fiscais domésticas, que podem manter a instabilidade elevada ao longo do pregão.

Às 12:11 (de Brasília), o dólar à vista recuava 0,03%, a 5,1775 reais na venda, alternando leves altas e baixas.

Mais cedo, a divisa chegou a ganhar 0,69%, a 5,2148 reais, o que seria equivalente a seu maior patamar para encerramento desde 14 de fevereiro deste ano (5,2195 reais), mas analistas disseram que esses níveis chamaram vendedores para o mercado, que aproveitaram o valor alto do dólar.

Na B3, às 12:11 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,38%, a 5,1890 reais.

Powell, que dava seu segundo depoimento ao Congresso dos EUA nesta manhã, estava no foco dos mercados, que ainda digeriam seus comentários desta quinta-feira. Na véspera, o chair do Fed sinalizou comprometimento com o combate à inflação e reconheceu que a maior economia do mundo enfrenta riscos.

Temores de que o mundo está caminhando para uma contração da atividade ganharam força desde que o banco central dos Estados Unidos elevou sua taxa básica de juros no ritmo mais intenso desde 1994 na semana passada, em 0,75 ponto percentual, já que custos de empréstimo mais altos tendem a restringir os gastos do consumidor.

O presidente do BC do Brasil disse nesta quinta-feira que a normalização da política monetária no exterior pode levar a um dólar mais forte. Roberto Campos Neto fez esses comentários depois que a autarquia elevou sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2022, para 1,7%, ante estimativa de 1,0% apresentada há três meses. Apesar da melhora, a instituição citou incertezas sobre as previsões.

Conforme acompanhavam as falas de autoridades de política monetária, investidores também monitoravam com cautela o noticiário político-fiscal doméstico.

As iniciativas do governo para criar um auxílio aos caminhoneiros e ampliar o vale-gás a famílias de baixa renda neste ano eleitoral, por exemplo, levantavam temores sobre qual será o impacto nos cofres públicos, num momento de aperto nas contas da União. Dan Kawa, diretor de investimentos da TAG, disse que esse tipo de discussão "pode continuar pressionando o dólar e a curva longa de juros, dada a perspectiva de piora fiscal".

Na véspera, a divisa norte-americana à vista subiu 0,50%, a 5,1791 reais na venda.

(Edição de Camila Moreira)

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