Dólar tem forte queda com otimismo sobre Brasil e apoio de Meirelles a Lula

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP - Vista interna da Bolsa de Valores, a B3, em SP. (Foto: Alessandro Shinoda/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP - Vista interna da Bolsa de Valores, a B3, em SP. (Foto: Alessandro Shinoda/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após uma abertura em alta, o dólar fechou esta segunda-feira (19) em forte queda frente ao real, com investidores adotando uma postura otimista em relação à atuação do Banco Central do Brasil na sua política de controle da inflação.

O sentimento de que a autoridade monetária brasileira acertou o momento de subir sua taxa de juros contrasta com a preocupação sobre os próximos passos dos principais bancos centrais, principalmente o americano, que deverá anunciar uma forte elevação no custo do crédito na quarta-feira (21).

Parte do mercado também apontava que esse otimismo quanto ao Brasil foi reforçado nesta tarde pela notícia do apoio do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles à candidatura do ex-presidente Lula (PT).

O dólar comercial à vista caiu 1,82%, a R$ 5,1640 na venda. Na Bolsa de Valores brasileira, o índice Ibovespa saltou 2,33%, aos 111.823 pontos.

Davi Lelis, economista e sócio da Valor Investimentos, afirma que há um sentimento positivo em relação ao Brasil diante da expectativa de uma alta moderada dos juros pelo Banco Central nesta quarta.

Predomina a avaliação entre investidores de que o país está conseguindo controlar a inflação sem sufocar a economia. "O BC agiu rápido, agiu forte e agiu bem", disse Lelis.

"Taxa de juros é como um antibiótico. Você precisa acertar na dose", compara. "E a gente não matou o paciente" afirma.

Quanto ao apoio de Meirelles a Lula, a mensagem captada pelo mercado é a da previsibilidade na condução econômica em um eventual mandato petista. "Meirelles é um velho conhecido do mercado e acaba trazendo mais segurança sobre o plano de governo que será apresentado", comentou o economista da Valor.

Isso não significa que o mercado torce a favor ou contra Lula, segundo Nicolas Borsoi, economista da Nova Futura. "Não é a precificação da vitória de Lula, mas um novo preço para um cenário com Lula vitorioso", explica.

Borsoi diz que "o apoio de Meirelles sinaliza que a política econômica do Lula terá alguma racionalidade e moderação em relação a um cenário de política econômica populista", analisa.

Discordando da avaliação de que movimentos internos tenham sido a causa dos impactos no dólar e na Bolsa, a economista especialista em câmbio Cristiane Quartaroli, do Banco Ourinvest, aponta a China como motor dos indicadores domésticos nesta sessão.

"A queda [do dólar] está apoiada nas medidas de estímulo dadas à economia chinesa", analisa Quartaroli. "E também vale lembrar que estamos com um nível elevado [da taxa de câmbio], ainda acima dos R$ 5,10."

Setores ligados a exportação, potencialmente beneficiados por medidas de estímulo na China, avançaram no mercado de ações local. As ações mais negociadas de Vale e Petrobras subiram 3,24% e 1,59%, respectivamente.

A Petrobras também foi beneficiada pela ligeira alta de 0,53% no preço do petróleo Brent, cujo valor do barril estava em US$ 91,83 (R$ 480,83) no final da tarde.

O dia foi de alta generalizada na Bolsa. Papéis com potencial de crescimento dispararam, com destaque para as altas dos grupos educacionais Yduqs e Cogna, que saltaram 14,10% e 9,77%, nessa ordem.

No cenário externo, investidores esperam uma forte alta dos juros de referência nos Estados Unidos. Há duas semanas, o mercado considerava uma alta entre 0,50 e 0,75 ponto percentual, mas agora há a expectativa para uma elevação entre 0,75 e 1 ponto percentual.

Provocada pela quebra das cadeias de abastecimento durante a pandemia e agravada pela Guerra da Ucrânia, a inflação é um problema para as principais economias.

Diante da persistência da inflação, ganha força o temor de que os Estados Unidos serão obrigados a elevar juros ao ponto de provocar um tombo da economia mundial nos próximos meses.

Depois do susto do início da semana passada com um índice de preços ao consumidor americano surpreendentemente alto, um novo símbolo do medo da recessão foi o tombo de mais de 21% das ações da FedEx na última sexta-feira (16) na Bolsa de Nova York. Nesta segunda os papéis da empresa recuperaram apenas 1,17%.

Em Wall Street, os principais indicadores do mercado americano fecharam a sessão desta segunda com uma recuperação moderada em relação à forte baixa da semana passada.

O Dow Jones, que acompanha o desempenho de 30 das maiores empresas dos EUA, subiu 0,64%. Já o S&P 500, parâmetro para as ações negociadas em Nova York, avançou 0,69%.