Dólar tem leve alta de olho em cenário fiscal e econômico; bolsa opera em baixa

Globo, com agências
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RIO E SÃO PAULO — O dólar operava em leve alta na manhã desta sexta-feira, com os investidores digerindo dados sobre a atividade econômica do Banco Central e de olho nas discussões sobre o auxílio emergencial em meio a incertezas persistentes sobre as contas públicas.

Diante desse cenário, às 11h21, o dólar comercial avançava 0,08%, a R$ 5,3921 na venda. O dólar caminhava para fechar a semana perto da estabilidade contra o real. Na véspera, a moeda americana teve alta de 0,31%, a R$ 5,3881 venda.

A bolsa registrava queda, com o Ibovespa recuando 0,78%, a 118.365 pontos. Na véspera, o índice de referência do mercado acionário brasileiro subiu 0,73%, a 119.299,83 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$ 28,8 bilhões.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), mostrou contração de 4,05% em 2020, de acordo com os dados divulgados pelo BC nesta sexta-feira.

Em dezembro, o índice apresentou avanço de 0,64% na comparação com novembro, em dados dessazonalizados, contra expectativa em pesquisa da Reuters de alta de 0,40%.

Vários economistas reagiam de forma positiva aos dados, uma vez que parte dos mercados esperava uma contração mais acentuada no acumulado de 2020 e ganhos mais leves no mês de dezembro.

"A recuperação da economia surpreendeu até quem era otimista", disse em post no Twitter Rafaela Vitoria, economista-chefe do banco Inter.

Mas a sinalização de retomada econômica conflitava com as persistentes incertezas fiscais brasileiras, com os investidores atentos às conversas em Brasília em torno de mais medidas de estímulo econômico para a população vulnerável, temendo que esses gastos levem ao colapso das contas públicas.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse na quinta-feira que, para que o governo possa conceder novas parcelas do auxílio emergencial à população afetada pela pandemia da Covid-19, é preciso que o Congresso aprove uma PEC de Orçamento de Guerra que, a exemplo do que ocorreu no ano passado, o autorize a liberar as despesas sem ferir parâmetros fiscais como a regra de ouro e o teto de gastos.

Ainda na quinta, o presidente Jair Bolsonaro reclamou em transmissão pelas redes sociais que o mercado fica "irritadinho" com declarações dele, em meio à admissão do governo que vai topar uma nova etapa do auxílio.

"A realidade e as pressões políticas tornam imperativo o estabelecimento de algum plano emergencial, por parte do governo, para amparar as classes menos favorecidas e que estão sob o risco de pobreza extrema, mas antepondo-se a esta situação está a situação fiscal do país, que não revela fontes de financiamentos imediatas", escreveu Sidnei Nehme, economista e diretor-executivo da NGO Corretora.

O foco dos mercados internacionais continuava no caminhar de um pacote de estímulo trilionário nos Estados Unidos, que contará com cheques diretos à população afetada pela Covid-19.

A disseminação do coronavírus nas principais economias também ficava no radar, depois que lockdowns rígidos prejudicaram as perspectivas de crescimento em vários países da Europa.

As bolsas europeias avançam, com exceção de Frankfurt. Em Londres, o FTSE-100 subia 0,24% por volta de 11h40 (hora de Brasilia), e Paris tinha valorização de 0,29%. Já a bolsa de Frankfurt apresentava queda de 0,33%.

Na Ásia, as bolsas chineses continuavam fechadas devido ao feriado de Ano Novo. No Japão, a bolsa de Tóquio fechou em queda de 0,14%, com o Índice Nikkei recuando a 29.520,07 pontos. Em Hong Kong, a bolsa também permanece fechada.