Dólar passa a subir ante real acompanhando fiscal e disseminação da Covid-19

Luana Maria Benedito
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Dólar tem leve queda ante real após disparada da véspera

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar passava a subir contra o real nesta quinta-feira, ampliando os ganhos depois de registrar na véspera sua maior alta diária em seis meses, enquanto os agentes do mercado acompanhavam a disseminação da Covid-19 e o cenário fiscal do Brasil, bem como projeções econômicas divulgadas pelo Banco Central.

Às 10:08, o dólar avançava 0,70%, a 5,6775 reais na venda, depois de ter apresentado leve queda nos primeiros minutos de pregão. Na B3, o dólar futuro ganhava 0,86%, a 5,671 reais.

O dólar negociado no mercado interbancário fechou a última sessão em alta de 2,20%, a 5,6380 reais na venda, sua maior alta diária em seis meses.

Na quarta-feira, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), acendeu um "sinal amarelo" e alertou que a Casa não deve se dedicar a temas que não estejam relacionados ao combate à pandemia, o que despertou entre os investidores o receio de mais atrasos na agenda de reformas do governo, em meio à persistente incerteza em torno das contas públicas.

"O que continua pesando aqui são as preocupações fiscais", disse à Reuters Luciano Rostagno, estrategista-chefe do banco Mizuho. "O discurso de Lira foi bastante duro e seu anúncio gera preocupações num cenário de pressões por mais gastos do governo pra combater a Covid-19 no país."

O Brasil superou na quarta-feira a marca sombria de 300 mil mortes em decorrência da Covid-19, com o registro de 2.009 óbitos em 24 horas, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

Segundo levantamento da Reuters, atualmente o Brasil lidera o mundo no número médio diário de novas mortes e infecções registradas, sendo responsável por uma em cada quatro mortes e um em cada sete casos contabilizados em todo o mundo a cada dia.

A vacinação no país segue em ritmo lento, com atrasos no cronograma de produção e seguidas reduções nas promessas de doses a serem entregues após uma demora do governo em negociar com laboratórios, o que deixa o Brasil sem uma perspectiva de resolver a crise no curto prazo.

Em meio ao recrudescimento recente da pandemia e ao carregamento estatístico para o PIB anual maior do que o esperado, o Banco Central reduziu sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto este ano para 3,6%, ante alta de 3,8% projetada em dezembro, mostrou o mais recente Relatório Trimestral de Inflação da autarquia, divulgado nesta quinta-feira.

Em relação ao aumento dos preços, o BC repetiu as projeções divulgadas na semana passada para seu cenário básico, que apontam para um IPCA em torno de 5% para este ano e de 3,5% para 2022, mas detalhou também alguns cenários alternativos em que considera a possibilidade de condições mais adversas.

"O discurso contido no Relatório Trimestral de Inflação continua apontando para normalização parcial da política monetária, mas acreditamos que a percepção de riscos do BC está apontando para um balanço de riscos assimétrico para cima, o que sugere que o ajuste de juros pode ser maior do que o esperado inicialmente", disseram analistas do Bradesco em nota.

Enquanto isso, disse Luciano Rostagno, os agentes do mercado também ficam de olho nas votações do Orçamento de 2021 na Comissão Mista, por deputados e por senadores.

O Banco Central anunciou para esta sessão um leilão de venda de dólares à vista com compromisso de recompra, oferecendo até 3,0 bilhões de dólares na operação.

Além disso, a autarquia fará leilão de swap tradicional para rolagem de até 16 mil contratos com vencimento em dezembro de 2021 e abril de 2022.