Dólar tem volatilidade ante real com preocupações por vírus dividindo atenções com Senado dos EUA

Luana Maria Benedito
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Dólar tem leve queda ante real com disputa por Senado dos EUA em foco

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar registrava volatilidade contra o real nesta quarta-feira, com os investidores apreensivos em meio à forte disseminação da Covid-19 e atraso na imunização da população em alguns países, como o Brasil, mas de olho no apetite por risco no exterior em meio à perspectiva de vitória democrata na disputa pela última cadeira do Senado norte-americano.

Às 10:39, o dólar avançava 0,19%, a 5,2745 reais na venda, enquanto, na B3, o dólar futuro operava em queda de 0,49%, a 5,267 reais.

Mais cedo, nos primeiros minutos de pregão, a moeda norte-americana à vista havia operado em queda, chegando a tocar a marca de 5,2330 reais na mínima do dia, para depois tocar 5,3147 reais na máxima.

Segundo Denilson Alencastro, estrategista-chefe da Geral Asset, essa instabilidade no comportamento do dólar reflete "nova preocupação em relação ao coronavírus, que não se resolveu totalmente e, agora, tem nova variante (mais infecciosa)".

Na Europa, o Reino Unido entrou em seu terceiro lockdown nacional para conter a disseminação de uma nova cepa da Covid-19, enquanto a Alemanha, a maior economia da Europa, prorrogou suas restrições rígidas de combate à doença até o fim do mês.

Alencastro citou a necessidade da ampla imunização da população para que haja uma melhora significativa no cenário para os mercados, apontando para a falta de vacinas em algumas regiões, como o Brasil, como um fator prejudicial para o sentimento dos investidores.

Por aqui, nenhuma vacina foi aprovada ainda para uso, e o governo espera começar a inocular grupos prioritários com vacinas importadas antes do final do mês, bem atrás de alguns vizinhos, como Argentina e Chile.

Mas, apesar das preocupações em relação à pandemia, o índice do dólar contra uma cesta de pares fortes caía 0,2% em meio à busca por moedas mais arriscadas nesta manhã diante da perspectiva de possível vitória dos democratas no segundo turno das eleições para o Senado dos EUA.

O democrata Raphael Warnock venceu a republicana Kelly Loeffler em uma das duas disputas pela Casa na Geórgia, de acordo com projeções de redes de TV e da Edison Research, e os democratas seguiam na frente na corrida pela outra cadeira.

Um Senado controlado pelos democratas dará mais espaço ao presidente eleito Joe Biden para agir com seus planos de reforma, embora possa aumentar as restrições e impostos sobre grandes empresas de tecnologia.

"A princípio, coloca-se que um governo de maioria democrata continuaria com um nível de gastos maior, o que poderia significar perda do dólar em relação a outras moedas", disse Alencastro, citando, no entanto, forças conflitantes envolvendo a moeda norte-americana.

"Ao mesmo tempo em que o dólar tem essa característica de queda diante da política expansionista nos Estados Unidos, ele é porto seguro em momento de crises", explicou, destacando os riscos representados pela Covid-19 como fator de busca pela divisa.

No radar dos mercados também ficava a notícia de que o setor privado dos Estados Unidos fechou 123 mil postos de trabalho em dezembro, contra expectativas de ganho de 88 mil empregos.

Na véspera, a moeda norte-americana negociada no mercado interbancário teve leve queda de 0,11%, a 5,2645 reais na venda.

O Banco Central fará neste pregão leilão de swap tradicional para rolagem de até 16 mil contratos com vencimento em maio e setembro de 2021.