Dólar amplia perdas na sessão após dados de emprego dos EUA; moeda caminha para queda semanal

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Operador conta notas de dólar norte-americano em uma cabine de câmbio em Peshawar, Paquistão, em 15 de setembro de 2021

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar aprofundou as perdas em relação ao real nesta sexta-feira e caminhava para encerrar a semana em queda, com os investidores digerindo dados de emprego dos Estados Unidos melhores do que o esperado enquanto continuavam monitorando o noticiário fiscal doméstico.

A criação de vagas de trabalho nos EUA aumentou mais do que o esperado em outubro, uma vez que as infecções por Covid-19 durante o verão no Hemisfério Norte diminuíram, oferecendo mais evidências de que a atividade econômica norte-americana está se recuperando.

Foram criados 531 mil postos de trabalho fora do setor agrícola no mês passado, informou o Departamento do Trabalho dos EUA nesta sexta-feira. Economistas consultados pela Reuters esperavam abertura de 450 mil vagas.

Embora tenha desacelerado abruptamente as perdas logo após a divulgação dos números, aproximando-se das máximas do dia, o dólar logo voltou a perder fôlego contra o real. Às 10:33, a moeda recuava 0,93%, a 5,5565 reais na venda.

Com esse desempenho, a moeda ficava a caminho de fechar a semana em queda de mais de 1%.

Investidores interpretaram os dados desta manhã como bastante saudáveis, mas ressaltaram que não devem elevar a pressão para que o banco central dos Estados Unidos intensifique seu processo de reversão de seu estímulo ou antecipe altas de juros. "Não forçam a mão do Fed para acelerar o processo de normalização monetária, mas mantém aceso o risco inflacionário prospectivo", disse Dan Kawa, CIO da TAG Investimentos, no Twitter.

Já Anderson Meneses, CEO da Alkin Research, escreveu que, "com restrições na cadeia de suprimentos e uma baixa taxa de participação, dados fortes de emprego podem significar uma estabilização da oferta com menor pressão inflacionária e consequentemente queda no rendimento dos Treasuries". Rendimentos mais altos nos EUA tendem a beneficiar a moeda norte-americana.

A taxa do título norte-americano de dez anos tinha alta moderada, a 1,5299%, nesta sexta-feira, ante 1,524% no pregão anterior. O índice do dólar contra uma cesta de moedas subia 0,23%, enquanto pares emergentes do real tinham pouca alteração no dia.

Para além do significado econômico dos dados de emprego desta sexta-feira, Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, ressaltou que a leitura forte reforça argumentos a favor da recondução do chair do Federal Reserve, Jerome Powell, ao cargo, à medida que os investidores se questionam sobre como será conduzido o processo de normalização da política monetária dos EUA. Boa parte dos mercados enxerga a manutenção de Powell como um cenário benigno.

No âmbito doméstico, a incerteza fiscal continuava no radar, em meio a planos do governo de financiar auxílio financeiro de 400 reais para a população vulnerável, vista como fator de pressão negativa para o real.

No início desta semana, o dólar fechou numa nova máxima desde meados de abril próxima dos 5,70 reais, e, embora já tenha se afastado um pouco desses patamares, segue forte. Em relação à mínima para encerramento deste ano, de 4,9062 reais, alcançada em junho, o dólar acumula alta de quase 14%.

Na véspera, a moeda norte-americana à vista subiu 0,35%, a 5,6085 reais na venda.

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