Dólar recupera fôlego ante real com apostas de aperto monetário nos EUA e ruído fiscal doméstico

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Dólar tem leve queda após ganhos da véspera; políticas monetária e fiscal seguem no radar

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar recuperava o fôlego frente ao real nesta quarta-feira, deixando para trás as perdas registradas no início da sessão, em meio a crescentes apostas de aperto monetário mais cedo do que o esperado nos Estados Unidos e a incertezas sobre a saúde fiscal do Brasil.

Às 11:32 (horário de Brasília), o dólar avançava 0,09%, a 5,5050 reais na venda, dando sequência aos ganhos registrados no fechamento das últimas duas sessões. Mais cedo, o dólar havia chegado a cair 0,61%, a 5,4661 reais, por volta de 10h.

Alexandre Almeida, economista da CM Capital Markets, apontou à Reuters nesta quarta-feira um cenário cada vez mais desafiador para o mercado de câmbio local, tando por fatores internacionais quanto por ruídos domésticos.

De um lado, ele citou dados fortes de vendas no varejo dos Estados Unidos divulgados na véspera, que alimentaram expectativas de alta dos juros pelo Federal Reserve (banco central dos EUA) já em 2022, principalmente diante da inflação elevada, o que tenderia a impulsionar o dólar globalmente.

Nesta sessão, o índice da divisa norte-americana contra uma cesta de seis rivais fortes era negociado perto da estabilidade, rondando máximas em mais de um ano, depois de chegar a apresentar queda mais cedo.

Enquanto isso, no Brasil investidores têm mostrado preocupação cada vez maior com a saúde das contas públicas em meio à tramitação da PEC dos Precatórios no Congresso. Almeida explicou que, embora muitos participantes do mercado enxerguem a proposta como possível alívio para a incerteza fiscal doméstica, "o fato é que a questão fica mais sensível com (a inclusão dos) servidores na conta pelo presidente Jair Bolsonaro".

Bolsonaro disse na terça-feira que a aprovação da PEC dos Precatórios abriria espaço para se conceder reajuste aos servidores públicos federais, justificando eventual aumento como resposta a um congelamento dos salários e à inflação.

A PEC dos Precatórios modifica a regra de pagamento dessas dívidas judiciais do governo e altera o prazo de correção do teto de gastos pelo IPCA, abrindo espaço para o pagamento de auxílio à população de pelo menos 400 reais por família em 2022, ano eleitoral.

Em nota a clientes, o Citi disse nesta quarta-feira que enxerga incertezas à frente para a aprovação da proposta pelo Congresso, o que está "mantendo investidores distantes e impedindo o mercado de adicionar risco significativo ao Brasil neste estágio".

O Citi disse acreditar que a aprovação da PEC em sua forma atual poderia ser suficiente para melhorar o desempenho dos preços dos ativos domésticos.

Além de ruídos fiscais, Almeida, da CM Capital, citou a aproximação de eleições provavelmente polarizadas, sinais crescentes de desaceleração econômica no Brasil e uma inflação pressionada como empecilhos para o desempenho do real.

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