Dólar tem leves oscilações ante real sem surpresas com rebaixamento do Brasil pela S&P

Por Claudia Violante
Notas de reais e dólares em uma casa de câmbio no Rio de Janeiro 10/09/2015 REUTERS/Ricardo Moraes

Por Claudia Violante

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar operava com pequenas oscilações ante o real nesta sexta-feira, sem surpresas para os investidores depois que a agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou o rating do Brasil.

Às 10:36, o dólar avançava 0,06 por cento, a 3,2204 reais na venda, após acumular queda de 2,89 por cento no ano até a véspera. O dólar futuro tinha alta de 0,20 por cento.

"Em termos práticos, o rebaixamento não muda muita coisa, já não somos grau de investimentos pelas três principais agências de rating", lembrou o operador da corretora H.Commcor, Cleber Alessie Machado.

Na véspera, a S&P rebaixou a nota de crédito da dívida soberana do Brasil para BB-, ante BB, em função da demora na aprovação de medidas para reequilibrar as contas públicas, num claro sinal à reforma da Previdência, e de incertezas devido às eleições deste ano.

O rebaixamento da nota brasileira era esperado desde o final do ano passado, o que chegou a levar o dólar para perto do patamar de 3,35 reais, depois que o governo não conseguiu votar a reforma da Previdência em primeiro turno na Câmara dos Deputados como pretendia, em dezembro.

A votação foi postergada para 19 de fevereiro, levando analistas a reduzirem as apostas na aprovação do texto, diante do cenário eleitoral deste ano.

"Entendemos que, dentro deste desconforto, o governo poderá sair do 'corner' onde está acuado pelo Congresso Nacional e se tornar efetivo protagonista de um discurso duro impondo constrangimento e responsabilidade pelo ocorrido aos políticos", afirmou o economista e diretor-executivo da NGO Câmbio, Sidnei Moura Nehme, em nota.

Mas o cenário político pode ser ainda mais complicado depois do movimento da S&P. Na noite passada, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou à Reuters que o governo havia se enfraquecido muito após denúncias e que não era "correto" transferir a responsabilidade de a reforma da Previdência não ter sido aprovada.

"Vamos ver (se o rebaixamento dará força à reforma da Previdência). A tentativa do governo de transferir a responsabilidade para o Parlamento não ajuda e não é correto. Precisamos unir esforços", afirmou ele.

O dólar também, seguia comportado nesta sessão diante da cena externa, onde a moeda norte-americana recuava ante divisas de países emergentes e uma cesta de moedas.