Dólar tem novo dia de queda, e Bolsa sobe com otimismo do mercado internacional

O Globo, com agências
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RIO E SÃO PAULO — O dólar abriu em queda nesta quinta-feira, com o real liderando os ganhos nos mercados globais de câmbio. A expectativa em torno de mais gastos públicos para reativar a economia americana joga a moeda para baixo. Em paralelo, as Bolsas globais continuam seu segundo dia de alta após a posse de Joe Biden.

Por volta de 11h20, o dólar comercial caía 0,62%, 5,2806. Na véspera, dia da posse de Biden, a moeda americana encerrou a sessão negociada a R$ 5,31, uma desvalorização de 0,61%.

A indicação do Banco Central, na quarta-feira, de que pode voltar a elevar os juros em cenário de inflação mais alta também contribui para o recuo da moeda americana. Juros mais altos atraem investidores estrangeiros e, com mais oferta de dólar no país, a cotação da moeda tende a cair.

Após destoar do bom humor internacional e fechar em queda no pregão da véspera, o Ibovespa, principal índice da B3, sobe nesta manhã. O índice subia 0,11%, aos 119.782 pontos. Nos últimos dias, investidores têm demosntrado preocupação com questões fiscais no Brasil e com o atraso da vacinação, o que pode afetar o ritmo de recuperação da economia.

Nesta quinta-feira, a Bolsa brasileira acompanha o mercado internacional, otimista com a mudança no governo dos EUA. Além da expectativa de adoção do novo plano de US$ 1,9 trilhão na gestão Biden, dados do seguro-desemprego divulgados hoje indicam leve melhora no mercado de trabalho.

BCE mantém juros

Foram 900 mil pedidos de seguro-desemprego na última semana nos EUA, número menor que na semana anterior. Os dados podem ajudar a impulsionar as Bolsas americanas mais uma vez e possivelmente levá-las a um novo recorde hoje.

Os futuros da Nasdaq subiam 0,22% por volta de 11h20. Já os da Dow Jones da Bolsa de Nova York apresentavam leve alta de 0,08% e os da S&P tinham valorização de 0,27%.

Na Europa, com exceção de Paris, as Bolsas operam em alta. O Banco Central Europeu (BCE) manteve a taxa de juros e seu programa de compra de ativos inalterados, como previsto.

O FTSE-100 da Bolsa de Londres avançava 0,09% e o DAX, da Bolsa de Frankfurt, tinha alta de 0,29%. Em Paris, o CAC-10 caía 0,35%.

Ações do Alibaba caem

O mercado acionário da China fechou em alta nesta quinta-feira, em linha com outros mercados asiáticos diante das expectativas de mais estímulo do governo Joe Biden.

O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, subiu 1,62%, enquanto o índice de Xangai teve alta de 1,07%. Em Tóquio, o índice Nikkei avançou 0,82%, a 28.756 pontos.

Em Hong Kong, no entanto, a Bolsa fechou em queda de 0,12%. Entre as ações que puxaram o índice para baixo estão as do Alibaba, do empresário Jack Ma. Na quarta-feira, ele reapareceu em vídeo gravado para um encontro virtual de professores da área rural do país, após três meses sem fazer aparições públicas.

As ações subiram mais de 10%. Mas horas depois de o vídeo circular na internet, o Banco Central da China propôs novas regras para combater o monopólio do país, que afetam os negócios do braço financeiro do grupo, o Ant, levando as ações da holding a cair 3% hoje.

Ma é alvo de reguladores chineses, que vêm ampliando o cerco a gigantes da internet no país. O IPO do Ant foi suspenso em novembro poucos dias antes da data prevista para abertura de capital nas Bolsas de Xangai e de Hong Kong, depois de críticas do empresário ao governo, que o colocou em rota de colisão com autoridades chinesas.