Dólar volta a subir e Ibovespa recua, com pressão do exterior e risco político interno

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RIO — O dólar operava em alta ante o real no início desta quinta-feira, enquanto a Bolsa recuava, em meio a um cenário externo de aversão ao risco e agravamento da tensão política interna. Na cena doméstica, os investidores ainda avaliam novos dados sobre a inflação.

Por volta de 10h30, amoeda americana era negociada a R$ 5,27, alta de 0,59%. No mesmo horário, o Ibovespa cedia 1,36%, aos 125.289 pontos.

O movimento do índice acompanha o de bolsas no exterior, onde as preocupações sobre os efeitos da variante Delta para a retomada da economia pressionam os negócios.

No cenário interno, são adicionados alguns elementos a esse ambiente negativo que vem de fora. A tensão política foi agravada, nesta quarta-feira, após ser dada voz de prisão ao ex-diretor de logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, durante a CPI da Covid-19.

O ex-servidor prestou depoimento à polícia legislativa do Senado e pagou fiança para ser liberado. A turbulência das últimas semanas vem pressionando o dólar e fez com que a moeda passasse a se valorizar frente ao real no ano.

“No Brasil, a tensão política deve seguir intensificando a pressão sobre ativos [...].O vai-e-vem da CPI da pandemia, que agora conta com uma nota de repúdio dos militares, e a manutenção de incertezas com a reforma tributária deverão se manter no radar”, escreveram analistas da Guide Investimentos, em nota matinal.

Queda generalizada

Por volta de 10h30, nenhuma ação do Ibovespa era negociada com alta.

As ordinárias da Petrobras (PETR3, com direito a voto) cediam 2,02% e as preferenciais (PETR4, sem direito a voto), 2,25%.

As ordinárias da Vale (VALE3) caíam 1,84%.

No setor financeiro, as preferenciais do Itaú (TITUB4) e do Bradesco (BBDC4) tiveram baixas de 1,18% e 1,37%. As ordinárias do Banco do Brasil (BBAS3) cediam 1,57%.

Inflação acima do teto

Segundo dados divulgados pelo IBGE, nesta quinta-feira, a inflação desacelerou em junho e subiu 0,53% em relação a maio.

Em 12 meses, porém, o IPCA acumula alta de 8,35%. É o maior avanço nessa base de comparação desde setembro de 2016, quando o indicador chegou a 8,48%.

Com o resultado, o indicador permanece acima do teto da meta de inflação estabelecida para o ano pelo Banco Central, que é de 5,25%.

O resultado é importante para o mercado, pois influencia na tomada de decisões do BC sobre a taxa básica de juros, a Selic, que hoje está em 4,25%. A expectativa é que uma nova alta da taxa seja anunciada pelo banco em agosto.

Bolsas no exterior

Na Europa, as bolsas operavam com queda. Por volta de 10h35, no horário de Brasília, a Bolsa de Londres cedia 2,01%. Em Frankfurt e Paris, as quedas eram de 2,14% e 2,32%, respectivamente.

Os investidores também reagem à decisão do Banco Central Europeu (BCE) de fixar sua meta de inflação em 2% no médio prazo. A formulação anterior buscava uma inflação “abaixo, mas perto de 2%”.

O banco ainda afirmou que permitirá que a inflação ultrapasse a meta estabelecida “quando necessário”.

As bolsas asiáticas fecharam em baixa. O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, caiu 0,88%. Em Hong Kong e na China, as baixas foram de 2,89% e 0,79%.

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