Dólar zera queda, mas real tem desempenho melhor que pares com apoio do Copom

José de Castro
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Notas de dólares

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar tomou fôlego na última uma hora e meia de negócios e fechou perto da estabilidade nesta terça-feira, influenciado no fim do dia pela piora no sentimento externo, mas ainda assim o real teve desempenho bem melhor que seus pares, com investidores analisando a sinalização do Banco Central de mais elevações de juros.

O dólar spot teve variação negativa de 0,04%, a 5,5168 reais na venda. A cotação oscilou entre alta de 0,59%, a 5,5515 reais, e queda de 0,97%, a 5,4653 reais.

As compras ganharam tração no meio da tarde para o fim da sessão à vista à medida que investidores aceleraram a tomada de dólares no exterior, ao mesmo tempo que as ações em Wall Street aprofundaram as perdas e os rendimentos dos Treasuries de dez anos foram às mínimas intradiárias --combo clássico de aversão a risco.

Investidores analisaram declarações do chair do Federal Reserve e da secretária do Tesouro dos EUA, ao mesmo tempo que avaliaram o noticiário sobre o agravamento da pandemia na Europa e tensões entre a China e o Ocidente.

Mas, apesar de terminar o pregão longe das mínimas, o dólar no Brasil ainda teve desempenho bem mais brando do que no exterior. A moeda norte-americana subia, por exemplo, 0,6% contra uma cesta de divisas fortes, saltando 2,3% ante seus rivais neozelandês e russo. O dólar ganhava mais de 1% contra peso mexicano, rand sul-africano, lira turca e peso colombiano.

A "blindagem" ao real veio do tom mais firme contra a inflação expresso pelo Banco Central na ata do Copom, divulgada nesta manhã. Na semana passada, o BC surpreendeu ao entregar elevação de 0,75 ponto percentual nos juros.

"O real respondeu hoje ao que vem respondendo desde a semana passada: a sensação de que o BC está mais 'hawkish' (firme contra a inflação)", disse Rogério Braga, sócio diretor e responsável pela gestão de renda fixa e multimercados da Quantitas, para quem a postura do BC está mudando a "instância de posicionamento no real pelo mercado".

O real vem há tempos sofrendo com baixos retornos, devido aos juros nas mínimas históricas. Isso tornou a moeda brasileira barata para financiar aplicações em outros ativos e, assim, alvo constante de posições vendidas.

Mas o gestor da Quantitas acredita que o real pode estar entrando em um período mais benigno, que inclui ainda o sazonal aumento de exportações agrícolas --o que se traduziria em mais fluxo cambial e, portanto, mais oferta de dólar.

A Quantitas projeta dólar de 5,40 reais ao fim do ano, ainda afetado por problemas fiscais do país. Mas, pelo modelo de taxa justa de câmbio, a gestora calcula que o dólar deveria estar mais próximo de 5 reais.