Da ilegalidade ao 'maconhaço': O que mudou nos 10 anos da Marcha da Maconha

Débora Melo
Manifestantes participam da Marcha da Maconha de 2013, em São Paulo.

A Marcha da Maconha de São Paulo volta a tomar a Avenida Paulista na tarde deste sábado (26), em defesa da legalização da cannabis no Brasil. Em 10 anos de história, o movimento — que no início foi considerado ilegal — cresceu, ganhou novos adeptos e ampliou sua pauta de reivindicações.

Os diversos coletivos que compõem a marcha têm demandas distintas e pedem desde a liberação do uso medicinal, recreativo e religioso da maconha até o autocultivo e a legalização de todas as drogas.

Além da defesa das liberdades individuais, a Marcha da Maconha prega a revisão da lei como forma de combater a violência provocada pela guerra às drogas, que atinge principalmente a população negra e periférica do País.

Marcha da Maconha de 2016, em São Paulo.

O movimento surgiu nos Estados Unidos nos anos 1990 e logo se espalhou. Hoje, a Marcha da Maconha ocorre anualmente em mais de 300 cidades no mundo. No Brasil, está presente em quase 40 municípios.

Além dos grupos que pedem a legalização da maconha, a marcha de São Paulo conta com o bloco dos psicodélicos, que defende a reforma das leis em benefício também da ciência, e há, ainda, a presença de coletivos feministas, que expõem a forma como as mulheres são especialmente afetadas pela política de encarceramento em massa.

Ao diversificar suas bandeiras, a Marcha da Maconha ganhou também a simpatia de quem não é usuário. Veja a cronologia do movimento em São Paulo:

2008: 'Apologia ao crime'

Em São Paulo, a primeira edição da Marcha da Maconha foi realizada em 2008, no Parque do Ibirapuera, na ilegalidade. A Justiça proibiu o encontro com o argumento de que o evento fazia "apologia ao crime", mas cerca de 100 ativistas estiveram no local para pedir a legalização.

Essa lógica reinou até 2011, quando, após nova proibição, manifestantes se reuniram na Avenida Paulista para protestar a favor da liberdade de expressão. O ato, porém, foi reprimido com bombas pela Tropa de Choque da Polícia Militar e terminou...

Continue a ler no HuffPost