Da prisão, Cunha defende Lula candidato e promove sua filha

GÉSSICA BRANDINO
Cassiano Rosário/Futura Press

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Preso desde outubro de 2016, o ex-deputado Eduardo Cunha voltou às redes sociais nesta sexta-feira (17) para "reforçar posições, justificar sua situação e se posicionar no cenário eleitoral". No texto, ele defende o direito de Lula ser candidato, busca votos para a filha, Danielle Cunha, candidata à deputada federal pelo MDB, e critica juízes da Lava Jato.

Na "carta à nação brasileira", divulgada pela equipe de Cunha, o ex-presidente da Câmara dos Deputados se diz vítima de perseguição por ter sido o responsável pelo impeachment de Dilma Rousseff. "Sou, assim como o ex-presidente Lula, um troféu político da República de Curitiba", afirma.

Apesar de se colocar como "o maior adversário do PT", ele diz que "Lula tem direito de ser candidato, pois quem deve julgá-lo é a população".

"Lula deve ser cobrado e responder por sua irresponsabilidade de ter imposto ao país um poste sem luz, chamado Dilma Rousseff; que destruiu a economia e a política. O petista não deve ser eleito pelo custo que impôs ao povo com sua desastrada escolha, mas jamais impedido de disputar", afirma.

O ex-deputado defende Henrique Meirelles, presidenciável do MDB, e faz críticas a um Congresso que será eleito "no pior dos modelos políticos, com voto individual, financiamento público e sem qualquer compromisso com a governabilidade".

Cunha afirma que a sigla elegerá a maior bancada na Câmara e Senado, lançando o nome da filha mais velha, destacando-a como evangélica, empreendedora e capacitada. Danielle irá às urnas com o número que foi do pai.

"Ela é muito mais preparada do que eu. Os meus adversários podem aguardar que ela dará mais trabalho do que eu dei e defenderá tudo o que eu defendi, do interesse da nação e do povo evangélico, como o combate ao aborto", diz.

Somadas, as penas do político chegam a quase 40 anos. Ele foi condenado duas vezes, com uma das sentenças confirmada em segunda instância.

Na primeira condenação, ele foi acusado de receber propina de US$ 1,5 milhão em um negócio da Petrobras na África. Foi sentenciado a 15 anos e quatro meses de prisão pelo juiz Sergio Moro, em março de 2017, mas teve a pena reduzida para 14 anos e seis meses em novembro do mesmo ano pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região).

Outra condenação veio em junho, pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara em Brasília, que o considerou culpado pelos crimes de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e violação de sigilo funcional por desvios na Caixa Econômica Federal. Neste processo, Cunha foi condenado a 24 anos e dez meses de prisão.

Em sua defesa, o ex-deputado afirma diz ter sido condenado sem provas, com base na palavra de um delator. "Existem outros casos semelhantes ao meu e querem transformar a prisão provisória em prisão perpétua",citando a absolvição da senadora Gleisi Hoffmann (PT).