Dado e Bonfá fazem show com músicas da Legião Urbana em meio a disputa com filho de Renato Russo

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Antes de falarem com a reportagem do GLOBO, o guitarrista Dado Villa-Lobos e o baterista Marcelo Bonfá fizeram um pedido: não gostariam de comentar o conflito na Justiça entre eles e Giuliano Manfredini, filho e herdeiro de Renato Russo (1960-1996), cantor e compositor com quem os músicos formavam a banda Legião Urbana. O tema, no entanto, é incontornável.

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Amanhã, ambos sobem ao palco do Qualistage, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, com um repertório de hits da Legião, grupo de rock formado pelo trio em Brasília no ano de 1982 e que esteve ativo até a morte de Renato. Há uma semana, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou um acórdão que determinava que Dado e Bonfá dividissem com a Legião Urbana Produções Artísticas Ltda. (herdada por Manfredini) os lucros da turnê que fizeram em 2015 celebrando os 30 anos de “Legião Urbana” (1985), primeiro álbum da banda.

Foi mais um capítulo do litígio sobre o uso da marca “Legião Urbana” que se arrasta há uma década, desde que Manfredini se colocou contra os parceiros de seu pai. Em junho de 2021, o mesmo STJ já havia determinado que Dado e Bonfá poderiam se apresentar como Legião Urbana. O herdeiro recorreu e o caso segue sem desfecho.

Dado e Bonfá, no entanto, ressaltam: a banda acabou; o que há hoje, reforçam, são homenagens, como a que farão amanhã, e das quais eles não abrem mão.

— A gente nunca tocou como Legião Urbana. A banda acabou quando o Renato partiu — diz Dado, sereno, por telefone. — Mas posso tocar minhas músicas na hora que eu quiser. Estamos interpretando nossa história, e o Renato está representado a cada sílaba. A gente nunca foi marca, fomos uma banda que acreditava que ia mudar o mundo. Ou o Brasil, pelo menos. A Justiça agora está entendendo que essa história cabe a nós e não a um herdeiro.

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Bonfá, por sua vez, mostra certa impaciência ao tocar no assunto. Vai da empolgação ao falar da empreitada como artista plástico (está com uma exposição digital em cartaz, em que vende NFTs junto de suas obras) e como empresário (tem um alambique em Santo Antônio do Rio Grande, Minas Gerais, onde produz a cachaça orgânica Perfeição) para um tom de desabafo ao falar do conflito judicial.

— É um saco ter alguém no seu pé, mas estamos ganhando todas. Quando o Renato morreu, Dado e eu nos reunimos com um monte de jornalistas na EMI pra dizer que a banda tinha acabado. Agora somos nós tocando nossas músicas. Quando fizemos turnê, o público sabia que não veria o Renato. Então, estão me acusando de quê? Acham que estamos enganando quem? Não dá pra mim, bicho — diz o baterista, que amanhã terá a companhia de André Frateschi (vocal), Lucas Vasconcellos (guitarra), Mauro Berman (baixo) e Pedro Augusto (teclado), além, é claro, de Dado.

Banda prejudicada

A jornalista Chris Fuscaldo, autora do livro “Discobiografia Legionária” (editora Leya, 2016), diz que a briga envolvendo ex-integrantes da Legião Urbana e o herdeiro de Renato Russo chegou até os fãs, que vivem uma espécie de polarização diante da situação deflagrada nos tribunais:

— Essa briga impactou demais a história da Legião, a carreira do Dado e do Bonfá, os produtos que poderiam ser lançados, e até os fãs, que ficaram polarizados. Eu queria lançar meu livro desde 2013, tinha autorização do Dado e do Bonfá, mas não do Giuliano. Então não me arrisquei a usar “Legião Urbana” na capa. Se tive problema com meu livro, imagina a gravadora que quer relançar um disco, com faixa-bônus, coisas do tipo? A memória da banda foi prejudicada.

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