Dados de 14.200 portadores de HIV são roubados e expostos em Singapura

(Arquivo) A internet é o principal fórum do país para debates políticos e vozes opostas, além de coordenar manifestações da oposição

Os dados confidenciais de 14.200 pessoas infectadas com o vírus do HIV, muitas delas estrangeiras, foram roubados e publicados na Internet - anunciaram as autoridades de Singapura na segunda-feira (28) à noite, no que parece ser a segunda falha de segurança informática na cidade-Estado em alguns meses.

O Ministério da Saúde acredita que os dados foram publicados por um americano condenado várias vezes pela Justiça. O suspeito os teria obtido por meio de seu parceiro, um médico de Singapura que tinha acesso ao registro nacional de pessoas portadoras de HIV.

Durante outro ataque informático importante em junho e julho, os dados médicos de 1,5 milhão de cidadãos de Singapura, incluindo os do primeiro-ministro, Lee Hsien Loong, foram roubados. As autoridades de Singapura disseram suspeitar, naquele caso, de que o ataque estava ordenado por um Estado, sem especificar qual.

"Uma pessoa não autorizada obteve informações confidenciais de 14.200 indivíduos portadores de HIV até 2013 e as coordenadas de 2.400 delas", indicou o Ministério em um comunicado.

"Essas informações foram publicadas on-line", acrescentou o Ministério, desculpando-se "pelas preocupações e pelo desespero" das vítimas.

Os dados publicados incluem nomes, identificadores, coordenadas, resultados de testes de HIV e outras informações médicas.

As pessoas afetadas por esse roubo são 4.500 singapurianos, diagnosticados como infectados pelo vírus até janeiro de 2013, e 8.000 estrangeiros diagnosticados como portadores do HIV até dezembro de 2011.

Cidade-Estado do Sudeste Asiático, Singapura conta com vários estrangeiros expatriados entre seus 5,6 milhões de habitantes.

O Ministério identificou um cidadão americano, Mikhy K. Farrera Brochez, que viveu em Singapura de 2008 a 2016, como o suspeito de possuir os dados roubados.

Foi condenado por fraude e por delitos relacionados com as drogas em março de 2017 e expulso de Singapura após cumprir sua pena. Hoje, ele não se encontra em Singapura, indicaram as autoridades.

Brochez mantinha uma relação com Ler Teck Siang, um doutor singapuriano que foi condenado em setembro por ter ajudado o parceiro em suas atividades criminosas e condenado a 24 meses de prisão. Ele apelou da sentença.