Dados do cartão corporativo de Bolsonaro estão incompletos, revela Secom

Os gastos com o cartão corporativo da gestão de Jair Bolsonaro estão incompletos e podem ser maiores do que foi publicado pela Secretaria-Geral da Presidência da República (SGPR). Ao GLOBO, a Secretaria de Comunicação Social da presidência (SECOM) informou que faltam despesas a serem incluídas e que uma nova publicação deverá ser feita em breve.

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“Haverá uma nova publicação uma vez que alguns registros não foram incluídos na extração original.”, diz a Secom, que afirma ainda que “dados consolidados constantes do Portal da Transparência atualmente são provenientes das faturas encaminhadas mensalmente pelo Banco do Brasil à CGU.”

A quantia gasta pelo cartão corporativo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi disponibilizada no site da Secretaria-Geral da Presidência da República após a queda do sigilo destes dados, diante do fim de seu mandato. O pedido pela divulgação das informações foi feito pela agência Fiquem Sabendo.

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No total, foram gastos no cartão corporativo R$ 27 milhões ao longo dos últimos quatro anos. Valores inferiores do que consta como dados informados pelo Portal da Transparência, o que chegam a 75 milhões.

Ainda segundo a Secom, essas informações publicadas pela Secretaria-Geral da Presidência da República se "referem exclusivamente à unidade gestora da Secretaria Especial de Administração da Presidência. Já o Portal da Transparência apresenta dados consolidados de outras unidades da Presidência, mas é possível filtrá-los para ver apenas essa unidade gestora".

Despesa milionária

Durante os quatros anos do governo Jair Bolsonaro, o cartão corporativo da Presidência da República foi utilizado para compras que vão além das despesas do dia a dia. Na lista consta itens para decorações de festas, doces e com animais de estimação.

A lista fornecida pelo governo é dividida entre diversas categorias, como hospedagem e alimentações. Duas dessas categorias são relacionadas a festas: "material p/ festividade e homenagens" e "festividades e homenagens". Ao todo, foram gastos R$ 21,7 mil. Parte dos gastos foi em lojas de Brasília especializadas em decoração e artigos para festas.

Entre os gastos com alimentação, alguns se destacam. Um dos estabelecimentos que mais recebeu recursos foi o Mercadinho La Palma, em Brasília, que se apresenta como "mercadinho gourmet". Foram R$ 678 mil em gastos ao longo dos quatro anos. No Rio de Janeiro, a lanchonete Lecadô recebeu R$ 126 mil.

Os gastos com hotéis são, de longe, os maiores do cartão corporativo da presidência, durante o governo Bolsonaro. O total de R$ 13,66 milhões em hospedagem nos quatro anos de mandato está concentrado em gastos elevados em estabelecimentos pontuais, como o Blue Tree Faria Lima, que acumulou cerca de R$ 553 mil, ou o luxuoso Hilton Brasil que recebeu em despesas do cartão corporativo mais de R$ 268 mil. O estabelecimento com maior gasto, no entanto, foi o Ferraretto Hotel, que recebeu R$ 1,46 milhões.