Dados colhidos na fiscalização de cargas em estradas vão ajudar a combater a força da milícia e do tráfico no Rio

Carolina Heringer
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A Polícia Civil do Rio vai passar a usar informações colhidas durante a fiscalização de cargas em estradas do estado, na Operação Barreira Fiscal, para auxiliar em investigações sobre tráfico de drogas, milícias e outras organizações criminosas. O objetivo é de que esses dados possam auxiliar os investigadores em inquéritos sobre essas quadrilhas, a exemplo do que aconteceu no início de janeiro, quando uma investigação da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) sobre contrabando de cigarros por paramilitares contou com dados de inteligência repassados por integrantes das barreiras. As abordagens vão ajudar a identificar as quadrilhas por trás de contrabando, falsificação de cigarros e bebidas e também grandes fraudes fiscais.

No mês passado, a Operação Barreira Fiscal deixou de ser comandada por um coronel da Polícia Militar e passou a ser chefiada pelo delegado da Polícia Civil Edu Guimarães, nomeado subsecretário de fiscalização de ativos da Casa Civil. Com a mudança, o objetivo é intensificar o trabalho de inteligência desenvolvido nas operações.

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Criado há dez anos, o projeto Barreira Fiscal fiscaliza a circulação de mercadorias pelas estradas do estado em cinco postos instalados. Nas vistorias, são verificadas as mercadorias e a documentação da carga, com o objetivo de verificar o pagamento do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e também se há presença de materiais ilícitos, como drogas e armas de fogo.

De acordo com Edu Guimarães, o projeto passa por uma reestruturação que inclui o uso de mais inteligência para realizar as abordagens de veículos e utilizar as informações obtidas durante as operações:

— Temos duas pontas: usar a inteligência para nortear as inspeções nos postos e aprimorar no combate à capilaridade dessas organizações criminosas, fornecendo dados para investigações das delegacias.

Com a entrada de Edu na operação, foi criada uma coordenadoria de inteligência para alimentar as delegacias da Polícia Civil, em especial as que integram o Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE) e o Departamento Geral de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e a Lavagem de Dinheiro (DGCOR-LD).

— Tínhamos um manancial de informações na Barreira Fiscal que se perdia pela falta de integração. A coordenadoria de inteligência vai captar esses dados e alimentar as investigações da Polícia Civil, que vai atuar nessa capilaridade das organizações criminosas. Nosso objetivo é combater a macrocriminalidade — frisa o delegado.

O investimento na inteligência dentro da operação não tem o objetivo apenas de fomentar as investigações, mas também de aumentar a fiscalização e o combate à sonegação fiscal no estado. A Barreira Fiscal continua debaixo do “guarda-chuva” da Secretaria de Estado da Casa Civil.

— A decisão é de trazer mais inteligência para a Barreira Fiscal, com a orientação de que resulte em aumento da arrecadação e do aperfeiçoamento do programa. A mudança foi gerencial para termos mais inteligência — afirma o secretário Nicola Miccione.

Mesmo com a entrada da Polícia Civil no programa, os postos continuam tendo policiais militares e civis contratados, além de auditores fiscais. Segundo Nicola, o aperfeiçoamento do programa passará também pelo aumento de barreiras fiscais volantes.

O envolvimento de milicianos com falsificação de bebidas, furtos de combustíveis, além de contrabando e falsificação de cigarros já são alvo de investigações da Polícia Civil. O objetivo é repassar para as delegacias possíveis conexões entre as cargas vistoriadas nas barreiras com grupos paramilitares, traficantes e outras quadrilhas.