Dalai Lama diz que povo tibetano deve decidir sobre sua sucessão

TAWANG, Índia (Reuters) - O líder espiritual Dalai Lama afirmou neste sábado que o povo deve decidir se querer continuar com sua instituição, acrescentando que ele quer realizar uma reunião de monges este ano, para iniciar a discussão sobre sua sucessão.

A China, que considera o Nobel da Paz como um separatista perigoso, afirma que a tradição deve continuar e que seus líderes comunistas oficialmente ateus têm o direito de aprovar o sucessor de Dalai Lama, como um legado herdado dos imperadores chineses.

"Se esta instituição do Dalai Lama deve continuar ou não depende do povo tibetano", disse o Dalai Lama a jornalistas na cidade remota de Tawang, próxima da fronteira chinesa com o Estado indiano de Arunachal Pradesh.

"Então, consultem as pessoas, se as pessoas sentem que esta instituição não é mais relevante então esta instituição deixará automaticamente de existir", disse o líder de 82 anos, acrescentando que quer começar este ano "algum tipo de discussão preliminar" sobre sua sucessão.

Uma decisão final sobre o destino da instituição deve ser tomada quando ele estiver próximo dos 90, disse o Dalai Lama.

O budismo tibetano sustenta que a alma de um lama sênior, ou um monge budista, é reencarnada no corpo de uma criança em sua morte.

O Dalai Lama, que se exilou na Índia após uma revolta contra o mandato chinês ter fracassado em 1959, nega ter abraçado a violência e afirma que apenas quer autonomia genuína para o Tibete.

Sua viagem de uma semana para Arunachal Pradesh, região himalaia administrada por Nova Délhi, mas reivindicada pela China como "Tibete do Sul", tem gerado polêmica em Pequim.

O Dalai Lama também afirmou discordar da política do presidente norte-americano, Donald Trump, de "América Primeiro" e seus recentes freios na imigração, afirmando admirar os Estados Unidos como líder do mundo livre e espera que o país lidere pelo exemplo.

O Dalai Lama reside agora na cidade indiana de Dharamsala, onde seus apoiadores também regem um pequeno governo em exílio. Ele renunciou qualquer papel político em liderar a diáspora tibetana.