Integralismo: Damares Alves diz se identificar com movimento inspirado no fascismo

Damares se diz identificada com integralismo, movimento que chegou ao Brasil em 1930, e defende ‘Deus, Pátria e Família’ - Foto: REUTERS/Adriano Machado
Damares se diz identificada com integralismo, movimento que chegou ao Brasil em 1930, e defende ‘Deus, Pátria e Família’ - Foto: REUTERS/Adriano Machado
  • Damares Alves diz se identificar com integralismo;

  • Linha de pensamento de extrema-direita se inspira no fascismo italiano;

  • Candidata ao Senado tem recebido o apoio da Frente Integralista Brasileira.

A ex-ministra Damares Alves (Republicanos) afirmou que se identifica com o movimento integralista, linha de pensamento inspirada no fascismo italiano que chegou ao Brasil nos anos 1930. A declaração foi feita em entrevista ao jornal O Tempo, publicada neste domingo (25).

"O movimento integralista, pelo que conheço, defende Deus, Pátria, família, e essa é a minha bandeira. Eu sou religiosa, sou cristã, sirvo a um Deus vivo e poderoso. Pátria, eu amo esta nação. Você sabe disso, o que eu faço pelo meu país? Eu oro pela minha nação desde os seis anos de idade", disse a candidata ao Senado pelo Distrito Federal.

As pautas do integralismo, de extrema-direita, se relacionam à moral religiosa, apelo nacionalista e hierarquização social. Também defendem o liberalismo econômico, em alguns casos o antissemitismo, e se opõem ao anarquismo e comunismo.

Ao ser questionada sobre o apoio que recebe da Frente Integralista Brasileira, criada em 2005, Damares comentou que não é algo exclusivo. “Se eu disser pra tu: tem até esquerda recomendando voto em mim porque eu defendo crianças (...) as minhas pautas são muito claras e os diversos movimentos têm manifestado apoio à minha candidatura”.

Disputa pelo apoio de Bolsonaro

Apesar do presidente Jair Bolsonaro (PL) ter sinalizado apoio à Flávia Arruda (PL) para o Senado no DF, a primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou, na última sexta-feira (23), que a candidata dela e de seu marido é Damares.

Tanto Damares quanto Flávia foram ministras do chefe do Executivo – a primeira do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, e a segunda Ministra-Chefe da Secretaria de Governo – e esta não é a primeira vez que disputam o apoio dele.

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Quando Bolsonaro se posicionou favoravelmente a Arruda ao ajudar a consolidá-la na chapa do candidato à reeleição ao governo do DF, Ibaneis Rocha (MDB), cuja vice é Celina Leão (PP), Damares chegou a repensar para qual cargo concorreria, mas o apoio de Michelle fez com que ela permanecesse na disputa por uma vaga no Senado. A proximidade das duas pode redefinir o apoio do presidente.

“Louvo e agradeço a Deus pela vida da minha irmã, a minha amiga, a minha eterna ministra e a minha futura senadora do Distrito Federal, Damares Alves. Tenham muito cuidado com os lobos que estão vestidos em pele de cordeiro”, comentou a primeira-dama em Brasília, sem citar opositores.