Damares diz que proteção a religiões africanas terá 'atenção especial' do governo Bolsonaro

MARINA DIAS
*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, 22.05.2019: A ministra Damares Alves (Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos) durante audiência pública na Comissão de Direitos Humanos da Câmara, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - A ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) afirmou nesta quinta-feira (18) nos EUA que o governo Jair Bolsonaro vai promover uma série de iniciativas para garantir o exercício da liberdade religiosa no Brasil, com atenção especial às religiões de matrizes africanas.

Durante evento no Departamento de Estado americano, a ministra disse ainda que o governo brasileiro está preocupado especialmente com a perseguição contra cristãos pelo mundo e que criará uma coordenação nacional e um comitê específico --chefiados por sua pasta-- para tratarem da proteção ao livre exercício religioso. 

Damares, porém, não explicou ou deu detalhes sobre as ações que seriam desempenhadas pelos novos órgãos.

"Aproveito a oportunidade para anunciar duas grandes iniciativas do governo brasileiro: instituiremos, nos próximos dias, um comitê nacional de liberdade religiosa e de crença. Será criada também, no âmbito do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, uma coordenação nacional destinada a promover ações e iniciativas para garantir o pleno exercício da liberdade religiosa. Será dada uma atenção especial às religiões de matriz africana", declarou a ministra.

"O atual governo brasileiro está seriamente preocupado com os contínuos atos de intolerância e violência baseados em religião ou crença. Estamos particularmente apreensivos com a perseguição contra cristãos em diferentes partes do mundo. Não dá mais para admitir a perseguição e a morte de tantos cristão no mundo", completou.

Em discurso de menos de quatro minutos, Damares afirmou que, para enfrentar a perseguição religiosa, é preciso "combater narrativas que promovam o ódio e repudiar legislações que restrinjam a liberdade religiosa", mas disse que essa não é apenas uma responsabilidade do governo federal.

"Os líderes religiosos também desempenham papel central em razão da influência que exercem na sociedade."

Parte da base eleitoral de Jair Bolsonaro é evangélica, assim como a ministra, e o presidente --que é católico-- diversas vezes é acusado por críticos e opositores de praticar discurso de ódio em relação a minorias.

Damares participou nesta quinta de evento promovido pelo governo americano com diversas autoridades dos EUA e do mundo para tratar de liberdade religiosa.

O presidente americano Donald Trump também tem parte de sua base ligada aos evangélicos e, por várias vezes, recorre a discursos agressivos, considerados racistas, para inflamar eleitores às vésperas da eleição.