Daniel Alves: entenda protocolo que fez segurança abordar suposta vítima em boate

A casa noturna Sutton, localizada na cidade de Barcelona, na Espanha, foi palco de um caso de acusação de abuso sexual que teria sido cometido pelo jogador Daniel Alves, no dia 30 de dezembro do ano passado. A vítima relata que foi levada pelo jogador a um banheiro do estabelecimento, onde o crime teria ocorrido. Assim que saiu dali, a mulher, segundo declaração dada por ela, estava em estado de choque e ficou em prantos, quando um dos seguranças da boate a abordou.

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A conduta do profissional seguiu um manual de segurança que é ensinado a uma série de funcionários que trabalham em locais desse tipo, até mesmo DJ’s — estes por terem uma visão panorâmica do ambiente. No caso da boate Sutton, havia um protocolo que estava sendo implementado e outro já em operação para esse tipo de caso: “Ask for Angela” e o “No Callem”.

Importado da Grã-Bretanha e que vem do termo Anjo (referente à proteção), o primeiro foi criado pela International Nightlife Association, organização que trabalha regras de segurança do “setor noturno”. Os funcionários desses locais são treinados para agir em caso de alguém se sentir assediado no ambiente. Em caso de assédio, a vítima deve abordar uma dessas pessoas e “pedir uma Ângela”, que o funcionário entenderá que se trata de um pedido de ajuda e fornecerá uma assistência discreta a ela.

No segundo, em vigor na Sutton, são usados cinco princípios, segundo o jornal Deutsche Welle: (1) atenção prioritária à pessoa atacada, (2) a vítima deve receber informações e conselhos corretos e tomar a decisão final (mesmo que pareça incompreensível), (3) o foco não deve estar em um processo criminal, mas, sim, na recuperação da pessoa agredida, (4) rejeição ao agressor, evitando sinais de cumplicidade com ele, “mesmo que seja apenas para reduzir o clima de tensão”, e (5) o princípio da informação rigorosa, preservando a “privacidade da pessoa agredida” e a “presunção de inocência da acusada”.

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Segurança aborda a vítima

Os seguranças, que controlam entradas e saídas das casas noturnas, podem utilizar “perguntas técnicas” para identificar se uma pessoa está bem ou se há algo de errado. Foi justamente a leitura do segurança no caso que envolve Daniel Alves. Outros funcionários, como garçons e DJ’s, também recebem essas orientações.

Seguindo essas orientações, um segurança percebeu o comportamento estranho da mulher, que relatou ter sido vítima de abuso cometido pelo jogador brasileiro.

“O choro da vítima chamou a atenção dos guardas, que, após falarem com ela, a levaram a um local reservado, de onde alertaram os Mossos d'Esquadra [a polícia local] e conseguiram acionar o protocolo de agressão sexual em instantes”, diz uma publicação do jornal espanhol El Mundo.

Mulher é acompanhada para lugar reservado

Os protocolos utilizados na boate preveem que, caso os funcionários tenham detectado ou tenham sido notificado sobre um possível ataque, os responsáveis pela segurança procederão discretamente para separar a vítima do acusado do assédio, conduzindo-a para um local seguro, notificando outras pessoas. À vítima também é oferecida a opção de ter uma companhia, de preferência mulher.

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Os seguranças da casa noturna devem estar atentos ao estado das possíveis vítimas, para acionarem rapidamente a polícia em casos suspeitos. A vítima deve ser informada de que a polícia foi notificada.

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O protocolo utilizado na boate indica ser importante que a vítima não vá ao banheiro para se lavar até que as forças de segurança se encarreguem da situação, uma vez que pode ser coletado material genético para ser comparado com o do acusado. No caso ocorrido em Barcelona, a advogada Ester García Lopez contou que a vítima precisou, também, fazer uso de remédios antivirais para prevenir Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), já que o jogador não usou preservativos quando cometeu o crime.

Assistência à vítima

O guia prevê, ainda, que sejam oferecidos abrigo e roupas à vítima desse tipo de crime, caso seja necessário. O documento também prevê que, sempre que possível, a vítima seja cuidada por alguém do mesmo sexo.

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Segundo o jornal espanhol El Diário, “as últimas estatísticas da Clínic [hospital que atendeu a vítima no caso Daniel Alves] destacam que 87% das vítimas atendidas foram para o hospital em menos de 72 horas após o ataque, e 65% em menos de 24 horas”.

Proatividade dos funcionários

Caso uma mulher tenha sido vítima de agressão sexual em alguma casa noturna na Espanha e os funcionários da boate não consigam perceber, as pessoas são orientadas a ir até o bar e “pedir uma Ângela”. O termo faz parte de um protocolo internacionalmente conhecido, com origem no Reino Unido.