Daniel Alves produz curta sobre morador da Mangueira que sonha ser jogador, lembra figuração em filme e não descarta virar ator

·3 minuto de leitura

O que há em comum entre o pequeno Luis Fernando, de 13 anos, morador do Morro da Mangueira, na Zona Norte do Rio, e o jogador Daniel Alves, de 38, nascido em Juazeiro, na Bahia, ídolo do futebol mundial? Para o craque, a resposta é simples: “O sonho!”.

— É impossível não me identificar com a história, vejo no olhar dele essa inocência de um pequeno sonhador, assim como sempre fui — diz o famoso.

“Nando”, filme produzido por Daniel Alves e que vai passar num festival em Nova York em breve, acompanha a rotina desse pequeno morador da Mangueira, que na época tinha 10 anos e sempre desejou ser jogador de futebol. Da sua casa, ele tem vista para o Maracanã. Tão perto e tão distante, o estádio é o destino do menino no curta-metragem, que o leva pela primeira vez para assistir a um jogo de seu time, o Flamengo — tudo isso, antes da pandemia. O encontro entre Nando e Daniel, no entanto, ficou para uma próxima:

— Espero um dia poder bater um papo com ele.

A história de “Nando” é narrada por Seu Jorge, a partir do poema de autoria do diretor do filme, o americano Alec Cutter. Daniel Alves conta que o conheceu por meio de outro projeto, e, admirado com seu trabalho, quis fazer alguma parceria.

— Tive a oportunidade de ver um trabalho de Alec de futebol na prisão e um outro com uma tribo indígena. Fiquei impressionado com o talento dele, e começamos a discutir onde poderíamos ser parceiros em projetos futuros... Daí veio o “Nando” — lembra o jogador do São Paulo.

A relação de Daniel Alves com o cinema não é recente. Em 1996, aos 14 anos, o jogador fez figuração no filme “Guerra de Canudos”, dirigido por Sérgio Rezende. Mais recentemente, produziu uma série para o Facebook Watch sobre sua chegada ao Brasil.

— Neste ano produzimos um capítulo de um documentário para a BBC Londres, sobre o prêmio EarthShot — adianta o craque: — O cinema é fascinante!

Mas será que ele poderia mudar de posição e aparecer em frente às câmeras, como ator? Daniel Alves não descarta:

— Por que não? Já participei de uma produção como figurante, quem sabe na próxima não é como principal... Eu já sou um ator em um palco gigante, agora quem sabe não me torno um ator das telas pequenas!

Nando vive com a mãe e os irmãos no alto do Morro da Mangueira. Como muitas crianças e pré-adolescentes, como é o seu caso atualmente, o carioca ama jogar bola, andar de bicicleta e brincar com os amigos, dos quais recebeu apoio quando contou que seria protagonista de um filme. Hoje, quase três anos após as gravações, o menino conta que as outras crianças da comunidade acreditam que ele vai ficar famoso depois que o curta passar em Nova York. Ele não vai viajar para a cidade para acompanhar a exibição por causa da pandemia, infelizmente. Mas, se pudesse escolher um lugar no mundo para conhecer, seria Paris, para assistir a um jogo do Paris Saint Germain.

— Espero ser jogador de um time famoso e estar com meu irmão, Rafael, jogando do meu lado — almeja o garoto, que, sobre ser famoso, descreve: — Ficaria nervoso com muita gente me olhando, mas ficaria alegre também.

Alec Cutter conheceu o menino quando era voluntário na ONG Estrela da Favela, na Mangueira, onde jogava bola com as crianças da comunidade. Foi lá que ele observou o tímido Nando e de cara pensou em fazer o filme com ele.

— Mais do que retratar a emoção de assistir pela primeira vez a um jogo no Maracanã, o curta transmite mensagens mais profundas, como a beleza dos sonhos de uma criança que vive em uma dura realidade — diz o diretor.

*Estagiário sob supervisão de Ana Carolina de Souza

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos