Daniel Furlan: o Renan do ‘Choque de Cultura’ invade o ambiente de música

Chegou a hora de o comentarista de futebol Craque Daniel (do “Falha de Cobertura”) e de o motorista Renan da Silva (do “Choque de Cultura”) darem lugar a outro personagem: o astro de rock Daniel Furlan, que na próxima sexta-feira lança o seu primeiro álbum solo, “Tropical Nada” (Deck).

Um desafio para o cantor, compositor, guitarrista, ator, roteirista, ex-cartunista e ex-tradutor de videogames de 42 anos, que desta vez se vê obrigado a enfrentar o público do alto de um palco (também na próxima sexta, no Studio SP Augusta, em São Paulo) e a explicar seu disco.

— Enquanto me ouço, vou me arrependendo do que estou falando. E chego à conclusão de que não é nada disso! — especula Daniel, assegurando que tinha a música como atividade (com a finada banda Ócio) “antes mesmo de pensar em fazer comédia”. — Tinha dito para mim mesmo que nunca mais ia ter banda, ainda mais com amigos. Só que durante a pandemia comecei a fazer umas músicas e a mão coçou. Pensei em chamar uns músicos, fazer esse disco e ver no que dava. E aí acabei juntando alguns amigos de novo.

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Junto com o tecladista Zé Ruivo (com quem fez as músicas para a animação “Irmão do Jorel”), o baterista Bento Abreu e o produtor Marcel Dadalto, Daniel gravou então a primeira série de composições em português da sua vida: canções de amor atípicas, ácidas e ressentidas como “Não vale nada” (lançada em single na última sexta), “Você é um piano caindo do topo de um prédio em cima de mim” (“meio tentando ser Odair José”) e “Sexo ruim” (“algo pouco cantado, mas muito praticado”).

— Acho que dá para perceber que tanto o conteúdo de humor que eu produzo quanto esse disco vêm da mesma pessoa. Mas quando mostrei ele para amigos, às vezes havia trechos fortes e dramáticos das letras em que eles caíam na gargalhada — diz o artista, que no último ano penou com a Covid-19 e com um entupimento da artéria cervical, que o levou a uma cirurgia e a três internações na UTI. — Demoraram a diagnosticar, fiquei de dezembro a março entrando e saindo de internações. E o disco foi gravado em janeiro. Estava todo chumbado, ficava tonto sem saber o porquê.

“Tropical Nada” sai justo no momento em que o capixaba Daniel está em evidência com o podcast Ambiente de Música, no qual, na pele de Renan, ele e seus colegas de “Choque de Cultura” Maurílio (Raul Chequer) e Julinho (Leandro Ramos) destroçam os astros da canção com os seus comentários.

— Aqueles personagens são tão loucos, tão sem noção, sem ideia do que falam, que, quando eles criticam alguma coisa, eu não vejo que seja algo com o qual o alvo da crítica deva se sensibilizar — alega Daniel, que no começo da carreira, como cartunista e roteirista, não imaginava que um dia ia ser ator. — Quando me chamaram para fazer filmes, foi uma surpresa total, jamais imaginei que isso seria possível. Tanto é que eu estava na MTV e o (diretor) Fernando Fraiha me perguntou se eu era ator, eu disse que não. E ele: “Esse é o cara certo pra fazer o meu filme!”

Torcida pela seleção

Um dos seus próximos projetos (que já está na fase de roteirização), por sinal, é o de um longa, dirigido por Fernando, do “Falha de Cobertura”: mesa redonda com o Craque Daniel e (sic) Cerginho (Caito Mainer, que no “Choque” faz o motorista Rogerinho do Ingá). O filme vai além dos esquetes pós-jogos, mostrando como os personagens se conheceram, na cadeia — e como se meteram em grossa confusão.

— A gente está há três Copas cobrindo a seleção brasileira, e ela sempre perdendo de forma vexatória. Nesse sentido, a seleção facilita o nosso trabalho. Com um time campeão, tem que ver como é que a gente vai fazer. Mas vai ser bom também, eu torço sempre para ela ganhar — avisa Daniel.