Daniela Mercury aos 54 anos: 'Educo minha alma para aceitar os incômodos da idade'

Maria Fortuna
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Daniela Mercury lançca o álbum 'Perfume'

Outro dia, Daniela Mercury se emocionou ao ouvir de Caetano Veloso que era tão importante para o carnaval de Salvador quanto Dodô e Osmar, inventores do trio elétrico e da guitarra baiana.

A emoção fica ainda maior, quando lembra o quanto teve que brigar no início da carreira para bancar seu estilo, o samba reggae. A gravadora Sony queria que ela cantasse música cigana (os Gipsy Kings estavam no auge) e achou arrogante quando apareceu entoando os versos “a cor dessa cidade sou eu/ o canto dessa cidade é meu”. A música (“O canto da cidade”, gravada no disco homônimo de 1992) acabou, segundo Daniela, batizando o gênero que viria a ser conhecido como axé. Agora, quase três décadas depois, ela considera “Rainha da balbúrdia”, canção que faz referências diretas à política nacional e está no disco “Perfume”, que sai dia 10, o “novo ‘O canto da cidade’”.

— As duas cantam contra a opressão — diz ela que, na música, critica a declaração do ministro da Educação, Abraham Weintraub, sobre “balbúrdia” em universidades federais, e o ataque de Jair Bolsonaro ao povo nordestino.

Mas o álbum inteiro, com 16 canções, é inspirado no atual momento do país ("A ideia é confrontar o cinismo, a censura, a LGBTfobia, racismo, os ataques à cultura e à natureza"). Nesta entrevista, a artista, que se assumiu lésbica em 2013, fala do trabalho, da militância LGBTQI+ e do casamento com a jornalista Malu Verçosa.

- Até hoje, não sei quem é que manda. Mas ela é a rainha má com as crianças (as três filhas, Marcia, de 21, Alice Maria, de 18, e Ana Isabel, de 10), eu sou mais gente boa (risos). Quando não deixa algo, elas pedem pra mim - brinca, contando ainda estar apaixonada. - Malu é uma surpresa para mim o tempo todo e não me canso de viver, a vida nunca me basta, tenho sede.

Daniela também contou como lida com a passagem do tempo.

- É desafiador envelhecer em frente às câmeras, mas amo as minhas rugas. Agora, tomei muito sol, tenho pintas que me angustiam, aí coloco uma base. A papadinha no queixo e a flacidez também incomodam. Tenho orgulho do meu cabelo branco.Adoro o tempo e educo minha alma para aceitar os incômodos da idade.

Leia a entrevista completa aqui.