Danni Suzuki comenta preconceito contra asiáticos durante a pandemia: 'Agressões estão crescendo'

Eduardo Vanini
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Danni Suzuki é puro carisma nas redes. Recentemente, a atriz de 43 anos desfilou bom humor ao mostrar, no Instagram, o novo corte de cabelo que ela mesmo fez, ressaltando a importância de rir de si mesmo. “Levo muito sério que minha vida deve ser leve e isso é um aprendizado fundamental”, justifica.

Mas isso não significa que temas sociais e urgentes sejam deixados de lado. Na mesma rede social, ela fez questão de aderir à hashtag #StopAsianHate, sobre a qual também teceu comentários contundentes em entrevista para o site da Revista Ela. “Acompanho com profunda tristeza essa associação de pessoas asiáticas à Covid-19. As agressões — que sempre existiram — estão crescendo. Isso é um absurdo”, comenta a atriz, que também relembra o preconceito sofrido na infância e na carreira. “Já ouvi que não teria muito futuro porque não tinha muitos atores asiáticos. Então, sempre falavam para mim que aquele papel do momento provavelmente seria o último.”

Engajada na construção de um mundo melhor, Danni também fala sobre como isso passa pela educação de seu filho, Kauai, de 9 anos. “Não quero que se relacione apenas com quem pensa como ele. Quero que seja capaz de ver justamente a beleza que é a pluralidade”, comenta.

O GLOBO - Ao mostrar o seu último corte de cabelo no Instagram, você escreveu: "Tenho certeza que daqui alguns anos vou olhar essas fotos e vou morrer de rir". Rir de si mesma é importante para você?

DANNI SUZIKI - A vida se faz leve quando nos divertimos. Acredito também que, quando a gente se leva muito a sério, acaba não se dando muito espaço para mudar de opinião, de vontades, para viver coisas novas... Levo muito sério que minha vida deve ser leve e isso é um aprendizado fundamental.

Quando você começou a cortar seu cabelo sozinha?

Já tem tempo. Meu pai nunca foi em um salão. Por toda sua vida, ele mesmo que cortou os cabelos. Minha franja eu sempre aparo em casa. No começo da quarentena, eu também cortei curto o cabelo em casa sozinha. Aprendi errando mesmo (risos). Mas adoro me olhar no espelho e mudar completamente sem medo. Só não me arrisco a pintar outra vez sozinha. Raiz até já fiz algumas vezes, mas pintar mesmo numa mudança radical já não faço mais, não deu muito certo. Cortei agora, no Uruguai, sozinha, mas tinha minha mãe na chamada de vídeo para direcionar na parte de trás, já que estava bem curtinho e eu não conseguia ver. Foi de fato uma despedida da minha personagem e desse ciclo, uma maneira de já abrir caminho para coisas novas. Às vezes, é tentativa e erro. Mas cabelo cresce. Então, nunca me apeguei muito ao fato de "dar errado". Uma dica para quem quer cortar o cabelo em casa é se preparar para, se der errado, não se chatear tanto.

Alguma vez já deu errado?

Sim (risos). Uma franja que fica curta demais e na tintura ficou laranja cenoura. Aí é tentar mudar o jeito de usar o cabelo, esperar crescer... Faz parte dar errado também.

Com a pandemia, imagino que você e seu filho estejam passando ainda mais tempo juntos. Como esse processo tem impactado sobre a relação de vocês?

Sim, passamos muito mais tempo juntos. Já éramos grudados, mas pude acompanhar a fase escolar com detalhes e ver outras curiosidades que ele tinha. Pude conhecê-lo ainda melhor. Sempre fomos muito parceiros, companheiros, e isso se intensificou. Assim como eu ajudava nos deveres, ele me ajudava na casa, e entendeu melhor o trabalho que dá limpar, organizar... Ele me assistia também trabalhar. Então, acompanhava mais minha vida também.

A experiência de ser mãe solo é compartilhada por milhares de mulheres no Brasil. Como tem sido essa para você?

A minha experiência é bem diferente da de muitas mães solo que exercem realmente sozinhas a maternidade. Por mais que eu não seja mais casada com o Fabinho (Novaes), nós dois sempre conversamos e trocamos sobre a educação do Kauai. Para nós, ele é a prioridade. Então, por mais que não sejamos um casal, somos parceiros no maior projeto de temos nessa vida, que é criá-lo. Sempre foi importante que ele tivesse a referência de um pai e uma mãe que, apesar de suas diferenças, são amigos. No dia a dia, não tenho a presença do pai, mas conto com uma rede de apoio que é muito importante.

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Você se preocupa em educar seu filho para que ele seja um homem livre do machismo?

Em me preocupo em educá-lo para respeitar todas as pessoas, todos os seres vivos. É preciso ter empatia pela vida dos outros, respeito pelas decisões dos outros, por mais que as pessoas sejam diferentes de nós. Não quero que se relacione apenas com quem pensa como ele. Quero que seja capaz de ver justamente a beleza que é a pluralidade. Converso com ele sempre, explicando como é importante respeitar o próximo, que ninguém é melhor que ninguém e que ele tem total liberdade para ser quem quiser, assim como as outras pessoas. Sinto o Kauai um menino muito amoroso e que entende isso desde muito cedo.

Você está no ar e “Malhação” e acabou de gravar "Desjuntados". O que mais vem por aí?

Nossa, tenho tantos projetos! Mais ainda não posso contar muita coisa. O que está chegando é o meu canal no Youtube. Por lá, vou compartilhar vídeos ligados à neurociência, comportamento, física quântica, educação... Todos temas que me interessam muito. O nome será "Meu DNA de Família", que era o nome das lives que realizava às quintas-feira no meu Instagram, no ano passado. A série "Arcanjo Renegado" segue disponível no Globoplay e tenho o filme "Um Casal Inseparável“ para estrear. Ainda não temos a data, mas a expectativa é que seja ainda em 2021.

Como acompanhou o movimento #StopAsianHate?

Acompanho com profunda tristeza essa associação de pessoas asiáticas ao vírus da Covid-19. Por causa disso, as agressões contra pessoas asiáticas - que sempre existiram, mas de forma mais velada - estão crescendo muito. Isso é um absurdo e, por isso, fiz questão de também falar publicamente sobre o movimento #StopAsianHate nas minhas redes. Esse nível de ódio e de culpabilização dos asiáticos pelo que está acontecendo no mundo é um absurdo sem tamanho. É importante sim falar sobre isso, instigar as pessoas que estão ao meu redor a pensarem sobre isso e a falarem sobre também. Eu posso não fazer uma grande revolução no mundo, mas posso mudar o meu entorno, posso conversar com as pessoas que me acompanham, que são próximas a mim. Isso faz diferença.

Sente esse preconceito cotidianamente? Pode nos dar alguns exemplos?

Eu senti esse preconceito na escola, outras crianças falavam sobre o formato dos meus olhos, rosto e a cor da minha pele... Mas, acho que por causa da minha personalidade, nunca entendi o bullying como um problema meu, mas sim de quem o praticava, que não sabia respeitar as diferenças. Na minha carreira como atriz, também já ouvi que não teria muito futuro porque não tinha muitos atores asiáticos. Então, sempre falavam para mim que aquele papel do momento provavelmente seria o último. Isso não me desencorajou a continuar buscando as oportunidades, mas fez com que eu sempre considerasse ter uma outra carreira. Foi por isso, por exemplo, que eu fiz a faculdade de Desenho Industrial e fui com ela até o fim. Acabou que outros trabalhos foram chegando, e consegui consolidar a minha carreira. Mas espero que cada vez mais pessoas possam despertar e ver a diversidade de forma positiva, porque ela é definitivamente nossa grande riqueza.