Sensação, uruguaio Darwin Núñez nasceu na fronteira com o Brasil, mas passou batido

Darwin Núñez é uma das principais sensações da temporada europeia (Foto: PATRICIA DE MELO MOREIRA/AFP via Getty Images)
Darwin Núñez é uma das principais sensações da temporada europeia (Foto: PATRICIA DE MELO MOREIRA/AFP via Getty Images)

LISBOA (PORTUGAL) - Barcelona, Liverpool e Bayern de Munique.

O uruguaio Darwin Núñez não perdoou nenhum deles na caminhada do Benfica até as quartas de finais da Champions League nesta temporada. O atacante de 22 anos brilhou na Europa e repetiu a dose também dentro de casa. Em 28 jogos na Liga Portuguesa, foram 26 gols marcados. Esses números fizeram com que a saída de Lisboa na próxima janela de transferências se tornasse uma questão de tempo.

Depois de pagar 24 milhões de euros (R$ 130 milhões) em 2020 por um reforço que vinha da segunda divisão espanhola com o Almería e gerou inicialmente estranheza por sua origem, o Benfica agora se prepara para faturar alto.

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As cifras ao redor de seu camisa 9 giram em torno de 70 milhões de euros (R$ 380 milhões).

Na lista de interessados, estão nomes como PSG, Chelsea, Manchester United, Newcastle e Atlético de Madrid.

Darwin será uma das grandes coqueluches do verão.

O mais inusitado disso tudo, no entanto, é que ele cresceu na cidadezinha uruguaia de Artigas, ao lado da fronteira com o Brasil.

Poderia ter atravessado a ponte e construído o seu percurso no país vizinho, mas o Peñarol foi mais rápido e, atento ao burburinho sobre o seu desempenho nos torneios locais, se adiantou para fisgá-lo ainda aos 13 anos.

Garantir a sua ida para Montevidéu não foi tarefa fácil, contudo.

“Eu era coordenador de scouting do Peñarol na parte norte do Uruguai, então, fui ver certa vez um campeonato em Artigas e fiquei sábado e domingo. Vi jogar Darwin e também alguns garotos de Salto. Assim que acabaram os jogos, falei com o pai de Darwin (Bibiano Núñez). Já o conhecia porque havia levado também o irmão velho, Junior, para o nosso clube”, relembra José Perdomo, que defendeu equipes como Real Betis, Genoa e Coventry City na carreira.

“Os pais não queriam que o levasse tão novo e, por isso, ficamos em contato para que, no ano seguinte, tentássemos trazê-lo ao Peñarol. Quando voltei, as conversas foram duras”, prossegue.

“O pai me disse que estava interessado e poderia levá-lo, mas a mãe (Silvia Ribeiro)... Foi complicado, muito complicado. Ela virou para mim e, com o portunhol que falavam naquela região, me disse: ‘não, Perdomo, você já me tirou Junior. Não vai fazer o mesmo com Darwin’. Não quero perdê-lo porque sentirei muita saudade. Não havia como convencê-la”, continua.

“Retornei três ou quatro meses depois e dessa vez o pai também insistiu bastante para que Darwin pudesse assinar conosco. No fim das contas, conseguimos, mas devo confessar que a mãe não me tratava de uma forma muito amistosa. De qualquer forma, o que importa hoje é que Darwin conseguiu melhorar a qualidade de vida de sua família”, completa, aos risos.

Agora tratado como sucessor dos compatriotas Luis Suárez e Edinson Cavani, o jovem jogador não teve, ainda assim, uma escalada tranquila até o topo.

Ao longo do caminho, ele sofreu com as saudades da família, quase abandonou o futebol após romper os ligamentos do joelho e ficar um ano e meio afastado e sofreu com o bullying nas redes sociais.

Na altura, em 2018, viu a sua autoestima desmoronar com as críticas recebidas durante o Sul-Americano Sub-20. Procurou o psicológico da equipe e, desde então, leva à risca o conselho que recebeu: parar de checar o que escrevem a seu respeito ao fim das partidas.

Foi o ponto chave para desabrochar e, na temporada seguinte, ser vendido ao Almería por oito milhões de euros (R$ 43 milhões).

Com a sua primeira grana significativa na conta, Darwin comprou logo uma casa para os seus pais, que, a partir daquele momento, não tiveram mais de se preocupar com as enchentes do rio que os separavam do lado brasileiro.

Perdomo, Silvia e Bibiano hoje apenas sorriem de todo o drama inicial.

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