Das finanças às aulas de violino, o trabalho remoto em tempos de coronavírus

Por Véronique DUPONT
Uma máscara cirúrgica pendurada em um poste de luz, em Londres

O trabalho remoto "não é ruim, a única coisa é que passo o dia comendo", lamenta a funcionária de um grande grupo de informática em Londres. Mas em outros setores, trabalhar em casa é muito mais complexo.

- Finanças -

O distrito comercial de Canary Wharf, em Londres, foi esvaziado em grande parte, assim como a City, o coração do poderoso setor financeiro britânico.

Em bancos como o HSBC, os funcionários trabalham remotamente sem muita dificuldade, como muitos faziam uma vez por semana antes da pandemia.

Somente as salas de negociação de ações, o centro nervoso dos mercados onde a velocidade tecnológica faz toda a diferença, ainda estão ocupadas, embora com metade da capacidade: as equipes foram divididas e separadas para evitar contato.

Também o mercado de metais LME, com sua famosa sala redonda com sofás vermelhos, dividiu as equipes, que no momento alternarão em 'home office' uma semana a cada duas.

- Audiovisual -

É difícil ter em casa o mesmo equipamento e a velocidade de internet necessários para lidar com arquivos extremamente pesados, que podem levar três horas para carregar em casa, em comparação com 15 minutos no estúdio.

Há também o problema da confidencialidade dos filmes ou desenhos em preparação e que os produtores mantêm estritamente em segredo.

Assim, no Reino Unido, onde o confinamento não é obrigatório, alguns estúdios ainda não enviaram seus funcionários para 'home office'.

- Comercial -

Como explorar o poder da sedução para vender produtos ou serviços quando a transação é feita remotamente?

"Temos tecnologia de ponta em nosso escritório, mas ontem ela caiu duas vezes, inclusive com o diretor de um enorme conglomerado", explica Sophia, que esperava vender um serviço de consultoria lucrativo.

"É realmente um problema, porque esse cliente estava na América Latina e estávamos confiantes nessa ligação para estabelecer um bom relacionamento", acrescenta a funcionária experiente de uma empresa de comunicação internacional, que normalmente viaja pelo planeta para se reunir com presidentes de multinacionais.

- Petróleo -

Em um setor que enfrenta não apenas a pandemia, mas também o colapso dos preços, os projetos de exploração foram congelados, mas nem todos os funcionários fazem trabalho remoto.

"Pedi a todos os funcionários que trabalhem remotamente, exceto aqueles relacionados a operações cruciais, como os milhares de operadores de plataformas offshore, refinarias, fábricas ou entregas de combustível", escreveu o presidente da BP, Bernard Looney, afirmando que não haverá reuniões ou viagens até novo aviso.

- Escola -

Metade dos estudantes do mundo não tem aulas devido ao coronavírus, informou a UNESCO na quarta-feira.

Em muitos países, os professores enfrentam, alguns mais facilmente do que outros, algumas ferramentas telemáticas pouco conhecidas para realizar cursos coletivos ao vivo e à distância e, assim, avançar nos programas escolares.

Por sua parte, professores de piano ou violino ensinam pelo Facetime.

E os pais que trabalham em casa devem compartilhar tempo e espaço com os filhos e, às vezes, se transformar em professores improvisados.

- Bem-estar -

Durante um confinamento cada vez mais rigoroso, cresce a necessidade de exercício físico e mental.

Muitos instrutores ficam on-line para dar aulas remotas de ioga ou aeróbica.

Raquel propõe suas aulas de salsa on-line e o californiano Daniel transmite uma sessão de meditação no Facebook.

"Vamos nos sentar, respirar e encontrar uma intenção" para essa prática, diz ele. Seus seguidores respondem com uma constelação de corações virtuais.