Daslu em nova polêmica: entenda por que venda da marca por R$ 10 milhões foi parar na Justiça

A marca Daslu, nome que foi referência do luxo no Brasil, de bolsas Chanel e sapatos Jimmy Choo a carros e até helicópteros, foi vendida ontem por R$ 10 milhões. Mas, assim como a conturbada história da Daslu, o desfecho da trama não é simples. Corre na Justiça de São Paulo uma ação que questiona a avaliação de R$ 1,4 milhão que foi o lance inicial do certame.

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O advogado da Sodré Santoro, Sidney Palharini Junior, explica que o recurso suspende apenas a formalização da arrematação e não invalida o leilão em si. A transferência da marca para o novo dono, porém, só ocorrerá depois que o caso for julgado e expedida uma ordem.

— Essa informação já era de conhecimento e constou do edital de leilão. Esse recurso será julgado brevemente e questiona apenas a avaliação da marca. O resultado do leilão, todavia, esvazia o objetivo da ação — diz Palharini Junior.

Ele explica que a DSL é falida e representada pela Expertisemais. Esta teria os direitos da marca. O leilão estava marcado inicialmente para maio, mas foi adiado para que o domínio do site entrasse no combo, que incluiu as marcas Villa Daslu, Daslu Village e Terraço Daslu. A quantia será usada para cobrir a massa falida e pagar os credores.

A Daslu começou nos anos 1950 quando as amigas Lucia Piva Albuquerque e Lourdes Aranha recebiam socialites em uma casa na Vila Conceição, bairro nobre de São Paulo, para mostrar algumas roupas finas.

Segundo a consultora de luxo Rosana de Moraes, o sucesso e a longevidade da marca se deveram ao atendimento intimista e com curadoria. As clientes, em alguns casos, eram recebidas com hora marcada e champanhe, o que na época não era comum. E as vendedoras eram filhas de figuras da alta sociedade paulistana.— Tinha um toque muito pessoal, porque as marcas ficavam em cômodos, parecia casa de amiga. Mesmo depois, na Villa Daslu, que era maior, mantiveram o conceito dos espaços separados — explica Rosana, autora do livro “O marketing e a arte do luxo na era da experiência”.

Anos mais tarde, na década de 1990, outro fator reforçou o glamour da Daslu. Com a abertura das importações, foi a pioneira em trazer marcas internacionais, como a Chanel, quando as grandes grifes não tinham lojas no Brasil. Naquela época, à frente da Daslu estava Eliana Tranchesi, que assumiu os negócios após a morte de sua mãe, Lucia, em 1983.

Em 2005, foi inaugurada a Villa Daslu, uma área de 17 mil m2 onde era exibido até um helicóptero para venda.

Pouco depois, o império ruiu. Naquele mesmo ano, uma operação da Polícia Federal revelou um esquema de sonegação fiscal na Daslu. Com as acusações de vender produtos sem nota fiscal, subfaturar notas e falsificar documentos, Eliana e seu irmão, Antônio Carlos Piva de Albuquerque, então diretor financeiro, foram condenados a 94 anos de prisão.

Ela ficou presa por 12 horas e logo depois liberada, pois passava por um tratamento de câncer, do qual faleceu em 2012. Já ele ficou foragido, tendo sido preso na semana passada. Agora, vai cumprir 7 anos e 8 meses.Para Rosana, entre crimes e legado, prevalece o poder da marca. Segundo ela, o conceito da Daslu foi um divisor de águas no varejo do país e pode ser resgatado pelo comprador do leilão:

— A ideia de trazer de volta o caráter pessoal e de curadoria é um algo a mais — diz Rosana. — O desafio vai ser resgatar a credibilidade, que ficou muito arranhada.

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