Daslu, ex-varejista de luxo, surpreende ao ser vendida por R$ 10 milhões

Daslu chegou a atingir faturamento de mais de R$ 400 milhões no passado
Daslu chegou a atingir faturamento de mais de R$ 400 milhões no passado

(REUTERS/Paulo Whitaker)

  • Daslu é vendida por R$ 10 milhões em leilão;

  • Quantia inicial era de R$ 1,4 milhão, sete vezes inferior ao alcançado;

  • Valor será usado para pagar as dívidas da empresa em falência.

A marca Daslu, ex-varejista de luxo, foi vendida por R$ 10 milhões em leilão realizado nesta terça-feira (7) pela casa Sodré Santoro. O valor é sete vezes maior ao lance mínimo, de R$ 1,4 milhão.

Até pouco tempo antes do leilão encerrar, às 13h, a antiga grife dos irmãos Eliana Tranchesi e Antônio Carlos Piva só havia recebido lances na casa de R$ 1,42 milhão, pouco acima do valor inicial estabelecido. Entretanto, na reta final o evento começou a esquentar em uma sequência de 49 lances, dados por oito participantes. O nome do vencedor ainda não foi divulgado.

"Ficamos surpresos com o resultado, já que a marca estava avaliada em R$ 1,4 milhão, depois de enfrentar um processo de recuperação judicial, ficar inativa e finalmente ir à falência", disse à Folha de S. Paulo Leonardo Campos Nunes, advogado do escritório Expertise Mais, indicado pela Justiça para cuidar da falência da marca Daslu.

A quantia será usada para pagar dívidas do processo de falência da empresa, seguindo as determinações da 1ª Vara e Ofício de Falência e Recuperações Judiciais do Foro Central de São Paulo. O leilão também contou com mais de 50 marcas relacionadas, como Villa Daslu, Daslu Casa, Daslu Homem e Daslu Pet.

Ascensão e queda

A Daslu foi criada na década de 1960 por Lucia Piva de Albuquerque e Lourdes Aranha, mas foi a partir dos anos 1990 que ganhou os holofotes, sob o comando de Eliana Tranchesi, filha de Lucia. A empresa era conhecida por vender produtos de grife internacional, ainda de difícil acesso aos consumidores brasileiros.

Em 2004, no auge do sucesso, a varejista chegou a atingir faturamento de mais de R$ 400 milhões, segundo levantamento realizado Folha de S. Paulo na época. Cerca de 75% a 80% das pessoas que visitavam a loja não iam embora sem realizar ao menos uma compra. A marca chegou, inclusive, a ostentar um prédio de 15 mil km² na marginal Pinheiros, em São Paulo.

No entanto, em 2005, Tranchesi foi presa por sonegação fiscal e por importação ilegal de produtos. A partir daí, a Daslu sofreu um esvaziamento de caixa e crise de reputação, chegando a ultrapassar R$ 80 milhões em dívidas e entrar em recuperação judicial.

Em 2010, encerrou as atividades e foi vendida, um ano mais tarde, para o fundo Laep, de Marcos Elias, empresário que já foi dono da Parmalat no Brasil. Mesmo após ser transformada em uma rede de lojas multimarcas, encontrada em alguns shoppings, a Daslu continuava a acumular dívidas e chegou a ser despejada, em 2016, do Shopping JK por não pagar o aluguel.

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