Datafolha: Ciro e Tebet crescem e frustram planos de Lula para 1º turno

Simone Tebet, presidential candidate of the Brazilian Democratic Movement (MDB), raises her hand as Brazil's President Jair Bolsonaro, presidential candidate of the Liberal Party (PL), and Brazil's former president Luiz Inacio Lula da Silva, presidential candidate of the Workers Party (PT), look on during the first Presidential Debate ahead of the national election, in Sao Paulo, Brazil, August 28, 2022. REUTERS/Carla Carniel
Simone Tebet, entre Lula e Bolsonaro, durante debate da Band. Foto: Carla Carniel/Reuters

O PIB avançou 1,2% no trimestre, o desemprego recuou para menos de dois dígitos (9,1%), o preço da gasolina caiu e o primeiro pagamento de R$ 600 do Auxílio Brasil caiu.

Mas os sinais de recuperação da atividade econômica não alteraram, de forma geral, o desempenho do Jair Bolsonaro (PL) na corrida à Presidência.

O candidato à reeleição segue com 32% das intenções de voto, segundo o Datafolha. É o mesmo índice apontado pelo instituto há 15 dias e cinco pontos a mais do registrado em maio.

O desempenho coloca um pé do candidato à reeleição no segundo turno, mas não há campo que permita, ao menos por ora, vislumbrar uma ultrapassagem até lá.

Veja como foram as últimas pesquisas eleitorais de 2022:

Bolsonaro segue como o presidente mais mal avaliado desde FHC (41% de ruim/péssimo) e ainda é o postulante mais rejeitado do certame (51%, ante 52% em agosto). Metade (50%) dos entrevistados diz jamais confiar no que ele diz. Ou seja: pode prometer um lugar no céu à população que a intenção não terá eco nessa fatia de eleitores.

O ex-presidente Lula (PT), que oscilou dois pontos para baixo e agora tem 45%, pode comemorar a estagnação do principal adversário em um momento em que a economia o favorece. Ele tem ainda a preferência de uma faria significativa dos eleitores que ganham até dois salários mínimos (54% das intenções), os principais beneficiados do Auxílio Brasil.

Só que, em maio, ele tinha 48% das intenções de voto, sempre segundo o Datafolha. Agora tem 45%. Uma queda esperada, um ponto fora da margem de erro, diante da exposição dele e de outros candidatos em debate, programas de TV e entrevistas, como as concedidas na semana passada ao Jornal Nacional.

Lula tinha um teto de vidro (a crise econômica do governo Dilma, alianças com gente presa e investigada na Lava Jato, a falta de uma resposta mais incisiva no campo da corrupção, a dificuldade em dialogar com o segmento evangélico e o agronegócio), mas o vendaval dos últimos meses provocou apenas trincos. Ele caiu pouco e Bolsonaro parou de crescer.

A má notícia capturada pelo Datafolha vem um pouco mais atrás do retrovisor.

Desde o início da propaganda oficial, os candidatos a candidatos a terceira via ganharam corpo. Simone Tebet (MDB) foi bem avaliada em sua participação no debate da Band e aparece agora com 5% das preferências dos eleitores. Ciro Gomes (PDT), que não devolveu as piscadelas de Lula no mesmo encontro, foi de 7% para 9%.

Os candidatos sabem que os números são insuficientes para sequer imaginar que poderão desbancar um dos favoritos e chegar ao segundo turno faltando apenas um mês para a eleição.

Mas o desempenho corrói, pelas faixas do acostamento, as chances de vitória petista no primeiro turno.

Lula tinha 54% dos votos válidos em maio, o suficiente para liquidar a fatura nesta primeira fase. Hoje tem 48%, ante 34% de Bolsonaro e 15%, somados, de Ciro e Tebet.

No segundo turno, Lula bateria Bolsonaro por 53% a 38%. A distância ainda é grande, mas já foi maior (de 55% a 32% em maio). Nesta disputa, o ex-presidente parece ter atingido um teto e o atual, com uma caixa de ferramentas da máquina pública em mãos, ainda não.

Até o momento, o petista fez de sua campanha uma peleja na qual o eleitor pode comparar os números de seu governo com os do atual presidente. Os outros concorrentes têm sido poupados.

O mais recente Datafolha pode levá-lo a alterar a estratégia.

Se quiser evitar o segundo turno e todos os riscos envolvidos em um jogo que coloca novamente a bola no centro do campo, Lula precisa mais do que nunca dos votos de quem hoje prefere Ciro e Tebet. Não são a maioria, mas uma fração ali pode mudar os rumos da conversa nas próximas semanas.

Desde o começo do ano, tem caído o número de eleitores de Ciro, por exemplo, dizendo que ainda podem mudar a decisão do voto até 2 de outubro. Eram 72% em fevereiro e hoje são 57%. O índice dos decididos é de 42%, ante 27% há sete meses.

Lula precisa colocar em campo agora a expressão “voto útil” para levar parte desses votos já na primeira etapa. Se conseguir um terço deles, o jogo acaba.

Em um ponto a estratégia de Bolsonaro o favorece. De olho nesses eleitores, Lula não demonstrou hostilidade em relação aos candidatos do PDT e do MDB. Bolsonaro, alvo de todos os concorrentes, não poupou bordoadas e escorregões ao ver a casca de banana arremessada pelos rivais.

É esperado que, entre Lula e Bolsonaro, os eleitores de Ciro e Tebet fiquem com o primeiro em caso de emergência. Só não se sabe se estarão dispostos a fazer isso antes ou depois do primeiro turno.