Datafolha: com auxílio emergencial visto como insuficiente, Nordeste dá a Bolsonaro patamar mais alto de reprovação

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SÃO PAULO — Alvo de investidas de Jair Bolsonaro, que buscava conquistar o eleitor tradicionalmente lulista por meio do auxílio emergencial no ano passado, o Nordeste hoje concentra as maiores taxas de rejeição ao atual presidente. Pesquisa Datafolha realizada nesta semana mostra que 62% dos moradores da região não votariam de jeito nenhum em Bolsonaro. Em todo o país, a rejeição ao presidente é de 54%.

O auxílio emergencial começou a ser pago em abril do ano passado, com parcelas de R$ 600. Na época, a popularidade de Bolsonaro nas camadas de renda mais baixa subiu. Nos últimos três meses de 2020, o valor foi reduzido para R$ 300. O benefício foi suspenso no começo do ano e volto uem abril —serão pagas parcelas de R$ 150 a R$ 375 até agosto.

Questionados pelo Datafolha, 87% dos eleitores disseram considerar o novo valor insuficiente, o que indica dificuldade para Bolsonaro repetir a fórmula de reverter a avaliação negativa com base no auxílio.

Além do alto índice de rejeição eleitoral, a pesquisa Datafolha também mostrou que a avaliação que eleitores fazem do governo Bolsonaro atingiu a pior marca desde o início do mandato. O percentual dos que consideram a gestão ótima ou boa caiu de 30% em março, quando foi feito o levantamento anterior, para 24%. O índice dos que consideram o governo ruim ou péssimo era de 44%, e agora oscilou para 45%. A pesquisa foi realizada entre terça e quarta-feira, com 2.071 entrevistas presenciais em 146 municípios de todo o Brasil. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Ao perguntar sobre a intenção de voto para a eleição presidencial de 2022, o levantamento mostrou que Lula tem vantagem de 41% a 23% sobre Bolsonaro no primeiro turno. No segundo turno, o petista venceria por 55% a 32%. Enquanto o presidente tem a pior rejeição no Nordeste, o petista marcou, na região, o índice de rejeição mais baixo (23%, contra 36% na média nacional).

Os demais nomes aparecem embolados: Sergio Moro, que até agora não manifestou intenção de concorrer à Presidência, com 7%; Ciro Gomes (PDT), com 6%; Luciano Huck (sem partido), com 4%; e João Doria (PSDB), com 3%.

Ainda que os nomes do espectro político de centro patinem na última pesquisa Datafolha, entusiastas de uma terceira via e analistas veem espaço para o crescimento de uma candidatura alternativa com a desidratação do presidente.

— Se não houver uma recuperação robusta (da economia), abre espaço para uma alternativa a Bolsonaro e que se oponha ao PT. Porém, Lula tem feito um esforço para minar este espaço ao buscar compor com nomes desse espectro — afirma o cientista político Osvaldo Amaral.

Professor de ciência política da FGV, Claudio Couto, acredita que há espaço para um candidato entre “o centro e a direita moderada":

— A questão é que esse nome ainda não existe.

Políticos que têm negociado uma candidatura de centro, como Luiz Henrique Mandetta (DEM) e João Amoêdo (Novo), acreditam que a pesquisa reforça a necessidade de que o grupo busque um candidato único.

— A pesquisa sinaliza que é preciso de união no centro. Há um caminho aberto — diz Mandetta.

O presidente do PSDB, Bruno Araújo, que já afirmou que vê pelo menos duas candidaturas no espectro do centro, afirma que os erros de Bolsonaro “ressuscitaram” o petismo.

— Mas a tendência é o crescimento de alternativas fora desses polos — diz Araújo.

Presidente do PDT, Carlos Lupi avalia que Ciro pode superar o presidente.

— Se derretimento do Bolsonaro continuar, acho real a possibilidade de segundo turno entre Lula e Ciro.

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