Datafolha: cenário em SP indica desafio dos partidos em 2022

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Brazil's presidential candidate for the Brazilian Social Democratic Party (PSDB) Geraldo Alckmin attends a PSDB meeting in Brasilia, on October 09, 2018, to discuss whether to support Jair Bolsonaro or Fernando Haddad in the October 28 presidential run-off election. (Photo by EVARISTO SA / AFP)        (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Favorito em SP, Geraldo Alckmin deve deixar o PSDB e virar a pedra no sapato de João Doria nas corridas estadual e nacional. Foto: Evaristo Sá/AFP (via Getty Images)

A pesquisa Datafolha para a sucessão em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, dá pistas dos dilemas dos principais partidos na disputa nacional. O maior deles é a fratura exposta pelos conflitos internos do PSDB.

Ainda filiado ao partido, o ex-governador Geraldo Alckmin é hoje o favorito para obter um novo mandato. Ele soma 26% das intenções de voto. O detalhe é que ele dificilmente permanecerá no PSDB até 2022. Sua provável desfiliação é resultado direto dos conflitos com seu ex-apadrinhado João Doria, que em 2018 deixou o então presidenciável de lado para vestir o slogan BolsoDoria. Nunca foi perdoado.

Os atritos causaram feridas ainda abertas na legenda. Doria não esconde seu desejo de disputar o Planalto. Alckmin não esconde que não movimentará uma sobrancelha em defesa do ex-pupilo.

Doria trabalha para indicar o atual vice-governador, Rodrigo Garcia, recém-filiado à legenda. Garcia tem 5% das preferências.

Os planos de Doria têm no caminho uma pedra chamada Alckmin, disputado por PSD, de Gilberto Kassab, e pelo PSB, de Márcio França, que no cenário com o tucano figura na terceira colocação, com 15% das intenções de voto. Juntos, Alckmin e França poderiam resolver a disputa já no primeiro turno.

O segundo colocado na pesquisa é Fernando Haddad, com 17%. Ele passa a ser o favorito, com 23%, num cenário sem Geraldo Alckmin. Ambos possuem a maior rejeição apurada pela pesquisa: 36% para o tucano e 34%, para o petista. Os índices apontam o teto do maior partido de esquerda do país no estado mais populoso. 

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PT e PSDB protagonizaram as últimas disputas tanto em São Paulo quanto na arena presidencial. Os tucanos, que sempre levaram a melhor ali, comandam o estado desde 1994.

A regra foi quebrada em 2018, quando Márcio França (PSB) disputou com Doria o segundo turno e o PSDB, com Alckmin, fez apenas figuração na corrida presidencial.

A pesquisa Datafolha mostra que o que aconteceu em 2018 ficará em 2018. A onda que elegeu quem melhor se associou a Bolsonaro naquela disputa virou marola.

O provável candidato do Planalto em São Paulo é o ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas, aliado de primeiro hora de Jair Bolsonaro. Ele tem apenas 6% dos votos. Como não está filiado a nenhum partido, é provável que concorra sem estrutura e tempo de TV dos principais adversários.

Todas as suas fichas ficarão por conta do empenho do padrinho político. Pode não ser suficiente.

Em 2020, a maioria dos candidatos apoiados por Bolsonaro nas capitais naufragaram. Foi o caso de Celso Russomanno (Republicanos), que em São Paulo perdeu força à medida que passou a ser associado como o candidato do presidente, e Marcelo Crivella (Republicanos), no Rio.

Mais do que a sucessão, o papel de cabo eleitoral de Jair Bolsonaro estará também em jogo na disputa. Por enquanto, ela não parece ser determinante para transferir votos aos seus aliados.

A disputa paulista tem outros elementos que hoje marcam a medição de forças nacionais. 

Uma delas é o limite de movimentos de rua, como o MBL, em torno de seus representantes. Hoje deputado estadual por São Paulo, Arthur do Val (Patriota) tem apenas 5% das intenções de voto. Apesar de reivindicarem o espólio da Lava Jato, ele e seus parceiros de antigas passeatas não conseguem mais sensibilizar multidões —nem nas ruas nem nas urnas. Não têm a confiança da direita associada a Bolsonaro nem o apreço de grupos progressistas. No limbo, fazem figuração, ao menos até aqui, nas disputas majoritárias.

Outro nome testado no cenário principal é o de Guilherme Boulos (PSOL), que chegou ao segundo turno na disputa pela capital paulista no ano passado. Ele soma 11% das preferências no cenário com Haddad e Alckmin, o que indica dispersão dos votos à esquerda caso este campo tenha mais de um candidato competitivo.

Os demais terão nas alianças e fraturas dos conflitos internos os elementos determinantes para o sucesso da empreitada. São Paulo mostra que elas estão longe de serem pacificadas. Isso certamente custará votos na disputa principal.

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