Datafolha: eleitorado discorda de Bolsonaro sobre armas e críticas a homossexuais

jose lucena/Futura Press

Levantamento do Datafolha realizado entre os dias 24 e 25 de outubro mostra que 55% das pessoas dizem acreditar que a posse de armas deve ser proibida, pois representa ameaça à vida de outras pessoas. Para 41%, a arma legalizada deveria ser um direito do cidadão para se defender. Outros 4% disseram não saber.

Em seu programa de governo, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) defende que a possibilidade de se armar garante o direito do cidadão à legítima defesa “sua, de seus familiares, de sua propriedade e a de terceiros”. O senador Magno Malta (PR-ES), um de seus principais aliados, disse que o governo deverá começar ainda em janeiro a se articular para conseguir facilitar a posse de armas de fogo.

Em entrevistas, o então candidato Bolsonaro diferenciou porte de posse de armas. Ele defendeu a autorização para posse de armas a cidadão a partir de 21 anos, cumprindo pré-requisitos como exame psicológico, capacidade de manuseio e residência. O porte, por sua vez, poderia ser permitido a, por exemplo, vigilantes e caminhoneiros, desde que submetidos a testes.

Os homens que foram consultados pela pesquisa mostraram-se divididos: 50% defendem que a posse deve ser legalizada, e 48%, que precisa ser proibida. As mulheres são menos favoráveis: 63% acreditam que as armas devam ser proibidas, ante 32% que preferem vê-las liberadas.

A rejeição ao direito de se armar vem caindo nos últimos anos. Em pesquisa do Datafolha realizada em setembro deste ano, 58% avaliavam que armas deveriam ser proibidas e 40% que deveriam ser liberadas. Em novembro de 2013, quando o instituto propôs o tema em seu questionário pela primeira vez, 68% apoiavam a proibição de armas e 30% se colocavam a favor da liberação.

A sondagem do Datafolha é um levantamento por amostragem estratificada por sexo e idade com sorteio aleatório dos entrevistados. Foram entrevistados 9.173 eleitores, com 16 anos ou mais, em 341 municípios do país nos dias 24 e 25 de outubro de 2018.

A margem de erro máxima é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi contratada pela Folha e pela TV Globo e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o número BR-05743/2018.

Homossexualidade

O Datafolha também ouviu eleitores sobre a aceitação da homossexualidade. Ao longo dos anos, Bolsonaro propagou discurso de ataques a minorias, e frequentemente com homossexuais como alvo. Ele chegou a dizer que preferia ter filho morto em um acidente a gay. Mais recentemente, tem moderado o discurso e chegou a dizer que “os gays serão felizes” em seu governo.

Para 74% dos entrevistados na pesquisa, a homossexualidade deve ser aceita por toda a sociedade. Outros 18% pensam que a homossexualidade deve ser desencorajada por toda a sociedade. Há ainda 8% que não opinaram sobre o tema.

A maioria daqueles que à época da pesquisa se declaravam eleitores de Bolsonaro, segundo o instituto, pensa que a homossexualidade deve ser aceita: 67% deles defenderam essa ideia, e 25%, desencorajaram.

A defesa da aceitação da homossexualidade é mais forte entre os mais jovens (84% entre aqueles que têm entre 16 e 24 anos); os mais escolarizados (82% entre os que fizeram ensino superior); e os mais ricos (82% entre aqueles que recebem mais de dez salários mínimos). (Com Folhapress).