Com Haddad à frente, SP pode espelhar disputa nacional? Não exatamente

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Fernando Haddad, former mayor of Sao Paulo, joins former Brazil president Luiz Inacio Lula da Silva at a rally in Recife, Brazil November 17, 2019. REUTERS/Adriano Machado
O pré-candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad com o ex-presidente e padrinho político Luoz Inácio Lula da Silva. Foto: Adriano Machado/Reuters

A menos de cem dias das eleições, é ainda precoce imaginar que a corrida pelo governo de São Paulo tende a replicar o que já se antevê na disputa presidencial.

Na quinta-feira (31/6), uma pesquisa Datafolha mostrou Fernando Haddad (PT) na dianteira pelo Palácio dos Bandeirantes no cenário mais provável —sem Márcio França (PSB) em campo. O petista soma 34% das intenções de voto no primeiro turno, contra 13% de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e de Rodrigo Garcia (PSDB).

Uma leitura precipitada indica que Haddad se beneficia do desempenho do ex-presidente Lula (PT) na corrida ao Planalto e larga, também, como favorito. Mas não é bem assim.

É verdade que a campanha regional, mais do que nunca, será pautada neste ano pelos humores da esfera nacional. Isso significa que o papel tanto de Lula quanto de Jair Bolsonaro (PL) será preponderante para a escolha dos eleitores em seus estados.

São Paulo é o maior colégio eleitoral do país e é comandado pelo PSDB desde 1994.

Dessa vez quem está em campo pelo partido é o atual governador Rodrigo Garcia, um ex-integrante do DEM recém-convertido ao ninho tucano.

Herdeiro do posto deixado por João Doria (PSDB), a quem incentivou a descer da árvore em São Paulo e sair como candidato a presidente antes de serrar o galho, Garcia tem no primeiro turno dois adversários imediatos.

Um é o desconhecimento do eleitor.

Outro é o bolsonarismo, que tem em Tarcísio de Freitas seu candidato oficial. É ali onde deve atacar.

Haddad, ex-candidato a presidente, larga como favorito porque é o mais conhecido entre os pré-candidatos. Na margem de erro, ele mantém o desempenho (cerca de 30% das intenções de voto) mesmo com Márcio França, ex-governador também já conhecido dos eleitores, no jogo.

PT e PSB estão juntos na disputa nacional, mas ainda não chegaram a um acordo sobre quem deve ceder a quem a vaga para candidato a governador em São Paulo e outras praças. A tendência é que o pessebista dispute o Senado.

Os números hoje beneficiam Haddad. Que, por sua vez, é beneficiado pela associação direta com o padrinho político.

A pesquisa espontânea, porém, mostra que 72% dos eleitores não têm um favorito na ponta da língua. Isso significa que a disputa em São Paulo não é ainda uma preocupação. Eles só definem seus votos quando a lista de pré-candidatos é apresentada.

Mesmo na pesquisa estimulada, 29% dos eleitores dizem que não sabem ou não pretendem votar em ninguém. É um contingente que tende a se alterar e fazer a diferença quando a eleição começar de fato e os postulantes forem apresentados junto a seus respectivos padrinhos.

Se conseguir converter em votos todos os eleitores que hoje dizem que poderiam votar ou que votariam com certeza em um candidato apoiado por Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas pode chegar a 34% ainda no primeiro turno. Essa é notícia boa para sua campanha.

A má é que 64% dos paulistas dizem que não votariam de jeito nenhum em um candidato apoiado pelo presidente.

Ou seja: Tarcísio tem hoje um piso e um teto a ser encontrado logo à frente.

Entre os pré-candidatos, o nome mais conhecido é também o mais rejeitado. Hoje 35% dos eleitores dizem que não votariam em Haddad de jeito nenhum.

Mais: 51% dos paulistas dizem que não votariam em um candidato apoiado por Lula. Este é, por enquanto, um problema a ser resolvido no segundo turno.

Tarcísio e Garcia possuem, ambos, 16% de rejeição. Esses números certamente serão alterados à medida que se tornem mais conhecidos do público.

Para o atual governador, o desafio de atravessar a primeira fase da disputa sem um padrinho político de porte razoável pode ser um trunfo. Para isso ele precisa demonstrar, por si mesmo, que pode derrotar tanto o petismo quanto o bolsonarismo no segundo turno.

O duro será botar o pé lá.

Diferentemente da disputa nacional, onde a terceira via morreu no ninho e os dois favoritos já são conhecidos por quase todos os eleitores (o que diminui as chances de uma reviravolta), em São Paulo a alternativa aos nomes apoiados por Lula e Bolsonaro tem a máquina na mão, acordos com as prefeituras para capilarizar apoio e um terreno considerável para crescer. Nem por isso os tucanos largam com o favoritismo de outros anos.

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