Datafolha: João Campos mantém liderança, mas vantagem sobre adversários no Recife diminui

Bruno Góes e Naira Trindade
·3 minuto de leitura
Rafael Bandeira / Leiajáimagens / Estadão Conteúdo
Rafael Bandeira / Leiajáimagens / Estadão Conteúdo

BRASÍLIA — A cinco dias da votação em primeiro turno, João Campos (PSB) mantém a liderança na corrida à prefeitura do Recife, segundo pesquisa Datafolha. Apesar de continuar favorito, o candidato à sucessão de Geraldo Julio (PSB), seu aliado, agora tem uma vantagem menor sobre os adversários.

De acordo com o levantamento, João Campos aparece com 29% das intenções de voto, frente a 31% da preferência na semana passada. Em seguida, aparecem empatados tecnicamente Marília Arraes (PT) e Mendonça Filho (DEM). A petista oscilou de 21% para 22%, enquanto o ex-ministro passou de de 16% para 18%. Delegada Patrícia Domingos (Podemos), que oscilou de 14% para 15%, está empatada apenas com Mendonça. A margem de erro é de três pontos, para mais ou para menos.

A pesquisa Datafolha, encomendada pela TV Globo, ouviu 1.036 eleitores nos dias 9 e 10 de novembro. Declararam voto em branco ou nulo 9% dos entrevistados, enquanto 4% não souberam responder. Pontuaram ainda no levantamento Carlos Andrade Lima (PSL), com 2%, e Coronel Feitosa (PSC), com 1%. Charbel (Novo), Thiago Santos (UP), Cláudia Ribeiro (PSTU) e Victor Assis (PCO) não pontuaram.

Em simulação de segundo turno, João Campos venceria os principais candidatos. Contra a prima, Marília Arraes, teria 41% ante 35% da petista. Se enfrentasse Mendonça Filho, a projeção é de vitória por 46% a 38%. Já contra Patrícia Domingos, a avantagem é maior: 54% a 31%.

Com a pesquisa divulgada nesta quarta-feira, Delegada Patrícia teve consolidado o alto índice de rejeição. Entre os entrevistados, 40% disseram não votar de jeito nenhum na delegada. A dificuldade aumentou depois que o seu adversário direto, Mendonça Filho, levou ao programa de TV mensagens antigas escritas por ela no Facebook. Foram levadas ao ar postagens preconceituosas. Numa delas, Patrícia, que é carioca, chamou a capital pernambucana de "Recífilis".

No fim de semana, o presidente Jair Bolsonaro declarou apoio formal à candidatura de Patrícia. O apoio gerou ainda uma crise interna na chapa à prefeitura. O Cidadania, que indicou o vice Leo Salazar, deixou de apoiá-la. Em nota, o presidente nacional da legenda, Roberto Freire, afirmou que o apoio de Bolsonaro, classificado como "um obscurantista e negacionista" no comunicado, é "incompatível com os valores e princípios" do partido.

Na avaliação de aliados do ex-ministro Mendonça Filho, o fato de Bolsonaro não ter apoiado a candidatura do democrata no primeiro turno não foi prejudicial, como mostraram as pesquisas. Mesmo preterido pelo presidente, Mendonça conseguiu ultrapassar numericamente a candidata de Bolsonaro.

A campanha do ex-ministro havia procurado aliados do presidente para tentar formalizar o apoio, mas havia conseguido um acordo de que Bolsonaro só iria entrar na campanha do Recife no segundo turno das eleições. Aliados do ex-ministro creditam ao presidente da Embratur, Gilson Machado Neto, ter convencido Bolsonaro a apoiar a delegada Patrícia.

Segundo a pesquisa desta quarta-feira, João Campos tem 34% de rejeição. Ele é seguido por Mendonça Filho, com 31%, e Coronel Feitosa, com 30%. Marília Arraes é rejeitada por 27% dos entrevistados.

Apesar dos ataques de Mendonça contra a delegada, João Campos é o alvo preferencial da campanha eleitoral. Marília Arraes, cuja candidatura foi garantida pelo ex-presidente Lula, passou a atacar o primo com mais intensidade. A situação deixa o PT pernambucano em uma saia-justa, já que possui uma boa relação com o PSB. Nesta terça-feira, em debate, Marília perguntou se Campos confiava na equipe de Geraldo Julio após a realização de operações da Polícia Federal. João Campos disse que sim, mas ressaltou que causava estranheza uma candidata do PT falar de corrupção.