Datafolha: Lula mantém vantagem sobre Bolsonaro após um mês de solavancos

Brazil's former President Luiz Inacio Lula da Silva speaks during an event with members of political parties and social movements in Porto Alegre, Brazil June 1, 2022. REUTERS/Diego Vara
O ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva durante encontro com movimentos sociais em Porto Alegre (RS). Foto: Diego Vara/Reuters

Cerca de um mês separa a divulgação das duas mais recentes pesquisas de intenção de voto feita pelo Datafolha.

De lá para cá, muita coisa aconteceu.

No começo de junho, o Brasil virou notícia no mundo todo após o desaparecimento de um jornalista britânico e um indigenista na Amazônia, espécie de área de desova do desmonte ambiental patrocinado pelo governo Bolsonaro. Eles foram alvejados com armas de caça, esquartejados e incinerados. Seus corpos foram encontrados duas semanas depois.

Bolsonaro os chamou de aventureiros e disse que não eram bem-vindos em uma região povoada por criminosos.

Dias depois, a Petrobras anunciou um novo aumento dos combustíveis, o presidente da companhia caiu e um ex-ministro da Educação foi preso e liberado no dia seguinte –sem evitar outro desmanche, o do discurso do atual presidente de que não existe nem existiu corrupção em seu governo.

No mesmo período, os números do desemprego recuaram, os da fome aumentaram, a CPI do Sertanejo avançou, Bolsonaro protagonizou as primeiras inserções de seu partido na TV, depois passou vergonha ao lado de Joe Biden e na semana passadas conseguiu no muque a redução do ICMS para segurar a gasolina.

Com tanto evento, a última pesquisa Datafolha, divulgado na quinta-feira (23/6), chegou com um novo velho dilema do copo meio cheio/meio vazio para o pré-candidato do PL à reeleição.

Aos solavancos, ele manteve 28% das preferências dos eleitores – oscilação de um ponto para cima em relação ao levantamento de maio.

Seu principal adversário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), oscilou um ponto para baixo. A distância entre eles é de 19 pontos.

O índice ainda é o suficiente para o petista vencer a peleja já no primeiro turno. Essa, para Bolsonaro, é a parte vazia do copo. Ele segue rejeitado por 47% dos eleitores e 55% dizem que não votariam nele de jeito nenhum. Os números já foram melhores. Mas também já foram piores.

Dentro da margem de erro, o ex-presidente manteve o favoritismo em um mês marcado por boas e más notícias para ele.

Do fim de maio para cá, Lula divulgou as primeiras fotos de seu casamento, lançou as diretrizes de seu programa de governo, lançou alguns balões de ensaio sobre teto do gasto e reforma trabalhista e se desgastou ao falar bobagem sobre os sequestradores de Abílio Diniz em um evento ao lado de Renan Calheiros (MDB-AL).

Nada que fosse o suficiente para ampliar ou derrubar a vantagem sobre Bolsonaro.

Ambos cresceram em alguns segmentos, consolidando uma projeção já esperada.

No primeiro turno, Lula larga em vantagem no Nordeste (tem 58% das intenções de votos), entre os católicos (53%), os mais jovens (54%), menos escolarizados (56%), os mais pobres (56% dos que ganham até dois salários mínimos) e entre desempregados (62%).

Bolsonaro obtém seus melhores índices no Centro Oeste (40%), entre homens (36%), evangélicos (40%), ricos (47% acima de dez salários) e empresários (43%).

Os eleitores mais fieis a Lula, porém, são mais numerosos no conjunto da população.

Tanto ele quanto Bolsonaro têm se beneficiado com a ausência de concorrentes na pista principal.

Entre maio e junho, ganhou forma a pré-candidatura de Simone Tebet (MDB), que deve disputar a Presidência com um vice tucano em sua chapa. Ela, porém, soma apenas 1% no Datafolha.

Ciro Gomes (PDT) segue abaixo dos dois dígitos, com 8%.

No período, caiu consideravelmente o índice de eleitores que, na pesquisa espontânea, dizem não saber em quem votar. Eram 41% e agora são 27%.

Isso reforça a margem estreita para as alternativas da terceira e quarta vias. Lula e Bolsonaro são conhecidos por praticamente todos os eleitores (98% a 96%, respectivamente). Ciro Gomes é familiar a 86% dos entrevistados.

Apesar do esforço para ampliar a exposição, com agenda de entrevistas e eventos de pré-campanha, apenas 23% sabem quem é Simone Tebet.

Sem Sergio Moro na pista e sem que um(a) pré-candidato(a) da direita democrática se mostre uma alternativa viável, Bolsonaro segue como destino dos votos de quem não vota em Lula de jeito nenhum –são 35% dos eleitores.

Aliados comemoraram a estabilidade nas pesquisas em um mês com mais notícias ruins do que boas para o presidente. Mas não escondem a frustração por não conseguirem até agora reverter a vantagem do petista a cerca de 100 dias da eleição.

A essa altura, eles apostavam que a caixa de ferramenta e benesses aberta pelo presidente, com Auxílio Brasil, corte de impostos e promessas de subsídio para caminhoneiros, já fizesse efeito.

Essa caixa de ferramenta ainda não se esgotou. Por enquanto, não tem se mostrado suficiente para virar o jogo.

Amostra disso é o desempenho do presidente entre quem recebe o Auxílio Brasil. Nessa faixa, Lula tem 59% dos votos no primeiro turno, contra 20% de Bolsonaro.

No Planalto, já não se descarta que até outubro os eleitores receberão um benefício maior do que R$ 400. No momento do abafa, teto de gastos e esforço fiscal viraram vinagre nas mãos de Paulo Guedes.

O que não se sabe é se, com ou sem ampliação de benefícios de teor eleitoreiro, o retrato atualizado pela pesquisa desta semana aponta um piso ou um teto para os dois principais candidatos.

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