Datafolha: número de eleitores que se identificam com esquerda aumenta e direita encolhe, aponta pesquisa

Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado mostrou que a esquerda ganhou espaço no país, enquanto a o número de eleitores de direita diminuiu. A aferição, que ouviu 2.556 pessoas com mais de 16 anos em 181 cidades, identificou que 49% dos brasileiros se identificam com o espectro ideológico da esquerda, percentual mais alto desde que o levantamento começou a ser realizado, em 2013. Para chegar ao número geral, o levantamento perguntou sobre temas como economia, porte de armas, legalização das drogas, entre outros.

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A diminuição no campo ideológico de direita foi de 6%, já que em 2017, data da última aferição, o cenário político estava dividido quase que igualitariamente, com 41% dos eleitores considerados de esquerda e 40% de direita. Atualmente apenas 34% se identificam com o espectro ideológico, sendo 9% de direita e 24% de centro-direita. Outros 17% dos entrevistados se identificam com o centro.

A oscilação se dá em um momento em que a disputa eleitoral para a Presidência se encontra polarizada, tendo como os principais nomes o do candidato de direita Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como representante da esquerda.

Para a definição do percentual, pesquisadores compararam respostas para perguntas sobre temas que separam radicalmente os dois grupos, como drogas, armas, criminalidade, migração, homossexualidade e impostos.

Entre as perguntas, participantes responderam sobre a pena de morte. Do total, 61% acham que não cabe à Justiça matar uma pessoa, mesmo que ela tenha cometido um crime grave. Em 2017, o percentual era de 55%. Aumentou também a quantidade de pessoas que acham que os jovens infratores devem ser reeducados. O total que era de 25%passou para 34%. O percentual de quem defende que eles sejam punidos como adultos eram totaliza 65%, conta 73% da aferição anterior.

A mudança no olhar sobre os sindicatos também indicam um recuo das ideologia de direita. Em 2017, 58% dos entrevistados responderam que os órgãos mais serviam para fazer política do que para defender os trabalhadores. Esse percentual caiu para 50%. Também aumentou a quantidade de pessoas que enxergam os sindicados importantes para defender os interesses dos trabalhadores, passando de 38% para 47%.

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No campo econômico, a guinada para a esquerda é observada de forma mais gradual. Questionados se o governo deve ajudar grandes empresas nacionais em risco de falência, 71% dos entrevistados se posicionou favoravelmente, contra 63% em 2017. A guinada à esquerda também é perceptível na pergunta que avaliou se o brasileiro prefere pagar mais impostos e receber mais serviços gratuitos de saúde e educação. Do total, 48% responderam que sim. O percentual era de 43% na última análise.

Ainda assim, há um consistente direcionamento do debate econômico para o campo ideológico de direita, que pode ser constatado pelo resultado sobre se empresas privadas devem ser as maiores responsáveis por investir no país e fazer a economia crescer. Foram 24% de resposta favoráveis, um aumento de 4% para 2017. A quantidade de eleitores que atribui o papel ao governo caiu de 76% para 72%.

A discussão sobre a responsabilidade do Estado ganhou força no mundo após os impactos financeiros da pandemia de Covid-19 e é tema do debate eleitoral —com a tendência da campanha de Bolsonaro de acenar ao mercado, enquanto a de Lula aponta um modelo de maior participação estatal.

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