Datafolha: no Recife, João Campos (PSB) deve disputar segundo turno com Marília Arraes (PT) ou Mendonça Filho (DEM)

Bruno Góes
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Fotoarena/Agência O Globo
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BRASÍLIA — Na véspera da votação em primeiro turno, o candidato do PSB, João Campos, mantém a liderança na corrida à prefeitura do Recife, segundo pesquisa Datafolha. Aliado do atual prefeito, Geraldo Julio (PSB), o filho do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos aparece com 34% dos votos válidos. O cenário mostrado pelo levantamento indica que dois adversários ainda brigam pela vaga no segundo turno: Marília Arraes, do PT, com 25%; Mendonça Filho, do DEM, com 23%. A candidata Delegada Patrícia Domingos, do Podemos, manteve a tendência de queda, e agora aparece com 13% dos votos válidos. Mesmo após o apoio do presidente Jair Bolsonaro, a campanha parece não conseguir reagir.

No cenário em que são considerados os votos brancos e nulos, o Datafolha mostra João Campos com 30% das intenções de voto, seguido por Marília Arraes, com 22%; Mendonça Filho, com 20%; e Delegada Patrícia Domingos, com 11%. A pesquisa, encomendada pela TV Globo, ouviu 1.750 eleitores nos dias 13 e 14 de novembro, com margem de erro de dois pontos. Declararam voto em branco ou nulo 9% dos entrevistados, enquanto 4% não souberam responder. Pontuaram ainda no levantamento Carlos Andrade Lima (PSL), com 2%, Coronel Feitosa (PSC), com 1%, e Charbel (Novo), com 1%. Thiago Santos (UP), Cláudia Ribeiro (PSTU) e Victor Assis (PCO) não pontuaram.

Em simulação de segundo turno, João Campos venceria os principais candidatos. Contra a prima, Marília Arraes, teria 41% ante 35% da petista. Se enfrentasse Mendonça Filho, a projeção é de vitória por 48% a 37%. Já contra Patrícia Domingos, a vantagem é maior: 53% a 29%.

Com a pesquisa divulgada nesta sábado, Delegada Patrícia permaneceu com alto índice de rejeição. Entre os entrevistados, 46% disseram não votar de jeito nenhum na delegada. A dificuldade aumentou depois que o seu adversário direto, Mendonça Filho, levou ao programa de TV mensagens antigas escritas por ela no Facebook. Foram levadas ao ar postagens preconceituosas. Numa delas, Patrícia, que é carioca, chamou a capital pernambucana de "Recífilis".

Há uma semana, o presidente Jair Bolsonaro declarou apoio formal à candidatura de Patrícia. Ela, inclusive, divulgou uma gravação ao lado do presidente. A aliança, no entanto, não surtiu efeito. O apoio gerou ainda uma crise interna na chapa à prefeitura. O Cidadania, que indicou o vice Leo Salazar, deixou de apoiá-la. Em nota, o presidente nacional da legenda, Roberto Freire, afirmou que o apoio de Bolsonaro, classificado como "um obscurantista e negacionista", é "incompatível com os valores e princípios" do partido.

Enquanto a delegada desidrata, o ex-ministro da Educação de Michel Temer Mendonça Filho ganha apoio de setores da direita e centro-direita. Há um mês, Patrícia Domingos estava numericamente à frente do candidato do DEM. A campanha do ex-ministro havia procurado aliados do presidente para tentar formalizar o apoio, mas havia conseguido um acordo de que Bolsonaro só iria entrar na campanha do Recife no segundo turno das eleições. Aliados de Mendonça creditam ao presidente da Embratur, Gilson Machado Neto, ter convencido Bolsonaro a apoiar a delegada.

Segundo a pesquisa desta quarta-feira, João Campos tem 35% de rejeição. Ele é seguido por Mendonça Filho, com 31%, e Coronel Feitosa, com 33%. Marília Arraes é rejeitada por 29% dos entrevistados.

Apesar dos ataques de Mendonça contra a delegada, João Campos é o alvo preferencial da campanha eleitoral. Marília Arraes, cuja candidatura foi garantida pelo ex-presidente Lula, passou a atacar o primo com mais intensidade. A situação deixa o PT pernambucano em uma saia-justa, já que possui uma boa relação com o PSB. Na terça-feira, em debate, Marília perguntou se Campos confiava na equipe de Geraldo Julio após a realização de operações da Polícia Federal. João Campos disse que sim, mas ressaltou que causava estranheza uma candidata do PT falar de corrupção.

Marília participou na sexta-feira de uma transmissão ao vivo com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o principal cabo eleitoral da candidata. Na conversa, Lula se comprometeu a comparecer à posse da petista, caso seja eleita.