Datafolha no Rio: Paes, com 71%, abre margem ampla sobre Crivella, que tem 29%

ITALO NOGUEIRA
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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM), tem 71% das intenções de votos válidos no segundo turno da disputa pela Prefeitura do Rio de Janeiro, aponta o Datafolha. O atual mandatário, Marcelo Crivella (Republicanos), tem 29% dos votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos. Considerando-se os votos totais, Paes tem 54%, e Crivella, 21% --patamar semelhante ao indicado pela simulação de segundo turno divulgada no sábado (14) pelo Datafolha. Afirmam votar em branco ou nulo 22% dos entrevistados, enquanto 3% não souberam responder. O Datafolha entrevistou 1.064 eleitores nos dias 18 e 19 de novembro. A pesquisa, feita por encomenda da Folha de S.Paulo e da TV Globo, tem margem de erro de três pontos percentuais. O nível de confiança utilizado é de 95%. O levantamento está registrado no TRE-RJ com o número RJ-00503/2020. A margem de virada para o atual prefeito parece ser estreita. Entre os eleitores de Paes, apenas 10% declara poder mudar o voto. Em razão da distância entre os dois, não basta a Crivella atrair os indecisos ou aqueles que pretendem votar nulo, mas também reverter intenções de votos do ex-prefeito. O levantamento mostra que Paes herdou a maior parte dos eleitores da pedetista Martha Rocha (64%) e da petista Benedita da Silva (68%) no primeiro turno. Crivella, por sua vez, é escolhido por apenas 10% dos que optaram pela ex-chefe de Polícia Civil, e 8% da ex-governadora. Neste segundo turno, Paes acumulou "apoio crítico" da maior parte dos partidos derrotados no primeiro turno. Declararam "veto a Crivella" o PT, PSB e PSOL. O movimento se deve tanto à rejeição ao atual prefeito como ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que o apoia. O levantamento mostra que Paes tem a preferência do eleitorado em todas as faixas de renda, escolaridade, idade e sexo. Seu melhor resultado é entre os entrevistados que declararam renda familiar acima de dez salários mínimos, grupo em que alcança 70% da preferência. O atual prefeito, bispo licenciado da Igreja Universal, tem a vantagem apenas no eleitorado evangélico, sua principal base eleitoral. Nesse grupo, ele tem 46% da preferência dos entrevistados, contra 29% de Paes --outros 23% pretendem anular, e 2% estão indecisos. Crivella aposta todas as suas fichas na mobilização do presidente em sua campanha e no discurso de cunho religioso e moral. Nesta terça-feira (19), Bolsonaro gravou um novo vídeo para a campanha do prefeito, mas disse que não participaria de agendas de rua ao seu lado. O atual prefeito vai apostar em apontar denúncias por corrupção que envolvem Paes e sua gestão na prefeitura (2009-2016). O candidato do DEM responde a duas ações penais pelo crime nas Justiças Eleitoral e Federal, além do ex-secretário de Obras de sua gestão, Alexandre Pinto, ter sido condenado e confessado recolher propina. Paes, por sua vez, evita o tema, embora Crivella também seja investigado por corrupção. Ele aposta na comparação das duas gestões contando com a má avaliação da atual. Os dois candidatos que permanecem na disputa foram alvos de operações policiais às vésperas do início da campanha. Paes foi alvo de busca e apreensão em razão de uma acusação por corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral pela prática de caixa dois na eleição de 2012 com recursos da Odebrecht. Ele se tornou réu e responde pelos supostos crimes na Justiça Eleitoral. Crivella, por sua vez, também sofreu buscas em sua casa e gabinete numa investigação sobre um suposto esquema de cobrança de propina dentro da prefeitura. Ainda não há denúncia nesse caso. Ambos também disputam graças a liminares concedidas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que suspenderam os efeitos de condenações do TRE-RJ que os tornavam inelegíveis. Crivella também sofreu um revés no TRE-RJ no início da campanha ao ser condenado por conduta vedada a agentes públicos na eleição de 2018. A Justiça entendeu que ele convocou funcionários da Comlurb (empresa pública de limpeza urbana) para ato de pré-campanha de seu filho Marcelo Hodge Crivella, candidato a deputado federal em 2018 --ele não foi eleito. A Lei da Ficha Limpa impede a candidatura de pessoas condenadas por órgãos colegiados por conduta vedada. Condenação pela mesma infração recai sobre Paes em decisão de 2017 do TRE-RJ. Os desembargadores viram irregularidade no fato do deputado Pedro Paulo (então no MDB, hoje no DEM) ter apresentado em 2016 como programa de governo para a Prefeitura do Rio de Janeiro o resultado de uma consultoria contratada pelo próprio município durante a gestão Paes. Paes obteve uma liminar no TSE para concorrer em 2018. O tribunal ainda não julgou o mérito do recurso. O relator do processo, ministro Luiz Felipe Salomão, disse que manifestará seu voto após a eleição. Crivella também obteve uma decisão provisória para concorrer. O relator do caso, ministro Mauro Campbell, já manifestou seu voto a favor da manutenção da candidatura do prefeito.