David Luiz viu carreira mudar após bronca por McDonald’s

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David Luiz em ação pelo Flamengo (Foto: FRANKLIN JACOME/POOL/AFP via Getty Images)
David Luiz em ação pelo Flamengo (Foto: FRANKLIN JACOME/POOL/AFP via Getty Images)

LISBOA (PORTUGAL) - Consagrado na Europa, David Luiz resolveu voltar para casa e fechar com o Flamengo para, entre outras coisas, reparar a má imagem deixada durante a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. É algo que pode começar a conseguir em caso de vitória rubro-negra na final da Libertadores contra o Palmeiras, em Montevidéu, no Uruguai. A fama que sustenta entre seus compatriotas está longe de ser, contudo, a mesma que sedimentou ao longo de praticamente uma década como um dos principais defensores do mundo.

Com passagens por Chelsea, Arsenal e Paris Saint-Germain, o zagueiro de 34 anos deu os seus primeiros passos no velho continente com o Benfica após se destacar com o Vitória na Série C e assinar pelos portugueses no início de 2007.

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A adaptação a Lisboa, no entanto, foi um tanto conturbada. Não só pelo desempenho inicial na derrota de 2 a 1 para o PSG, fora de casa, na Copa da UEFA, mas também pelo desafio de morar sozinho em outro país com apenas 19 anos.

Natural de Diadema, na grande São Paulo, David conseguiu aguentar a solidão nas primeiras semanas, porém, logo sucumbiu. Ele, então, se viu sem alternativa a não ser recorrer a alguns amigos para que largassem tudo no Brasil e viessem passar um tempo ao seu lado em seu apartamento na capital portuguesa.

Nada de errado, claro, embora, ainda inexperiente, o jovem jogador não tivesse ideia de até onde chegavam os olhos do Benfica em Portugal. Abusando de hábitos alimentares que pouco condiziam com a vida de um atleta profissional, ele viria a descobrir o alcance das Águias da pior forma.

Foi um ponto de virada que pôs o beque no eixo para que, mesmo com a idade já avançada, desembarcasse agora no Flamengo com status de estrela.

“Depois de quatro, cinco meses em Lisboa morando sozinho, convidei quatro, cinco amigos para se juntarem a mim. Um dia, o presidente (na altura, Luís Filipe Vieira) liga e me diz: ‘Passa no estádio, quero falar contigo’. Entrei de boné e ele logo falou: ‘Tira o chapéu, pá! Mais respeitinho, por favor!’”, relembrou David, em entrevista à BTV, emissora oficial do Benfica.

“Então, me sentei e ele pegou num papel e disse: ‘Você gosta de hambúrguer? Por acaso, faz aniversário todos os dias?’ E eu dizendo que não, sem entender. Ele continuou: ‘vamos ver aqui. Segunda-feira, 23h, 25 cheeseburgers, terça, 22h...’”, prosseguiu.

“Nós íamos todos os dias ao McDonald’s. ‘Você não conhece o Benfica? Isto é o Benfica! Você está de brincadeira, comendo hambúrgueres todos os dias?’ Saí dali e fiquei um ano sem comer. O presidente queria me matar! Mas tenho muito respeito por ele. ‘Ainda nem está ganhando dinheiro e já está trazendo amigos, pá, é um burro do c...’. Ele me ensinou muito”, concluiu.

Depois dali, David se firmaria no Benfica, conquistaria a idolatria dos torcedores e acabaria se transferindo para o Chelsea. Ele ergueria as taças de campeão em Portugal, Inglaterra e França, chegando muito mais longe do que aquelas trapalhadas iniciais fora de campo poderiam sugerir.

Não é algo, de qualquer forma, que tenha surpreendido o ex-atacante Derlei, com quem dividiu hotel assim que desembarcou vindo de Salvador. Multicampeão e respeitado em Portugal, ele tem na memória a lembrança de um David ainda garoto e que carregava todos os sonhos do mundo em sua ida para o Benfica.

“O nosso vestiário tinha muitos brasileiros. O Luisão (hoje diretor do Benfica) abraçou ele, estava sempre dando suporte. Ele chegou e ficava sozinho no apartamento. Dentro do vestiário, era tranquilo e, por isso, aos poucos, ganhou a confiança de portugueses e estrangeiros”, recorda Derlei ao Yahoo Esportes.

“Naquela época, fomos jantar com o (Giuliano) Bertolucci (agente) e o David nem me conhecia, futebol europeu não passava tanto na TV no Brasil. O Giuliano falou de mim, dizendo que eu já havia ganhado vários títulos, e ele virou para mim, com sorriso no rosto, e falou: ‘bacana, parabéns. Espero um dia poder ganhar tudo isso’. Daquele jeito dele, bem moleque, ambição nos olhos, pés no chão. Uma marca dele. E a gente fica feliz por saber que ele venceu isso e um pouco mais”, completou.

Embora já possua uma coleção farta de troféus, o astro do Flamengo ainda vai em tempo de acrescentar mais alguns a ela. A Libertadores pode ser o próximo.

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