De “Boy” de Mogi à prisão: Quem é Valdemar Costa Neto, ex-aliado de Lula e 'cacique' do novo partido de Bolsonaro

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
·4 min de leitura
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
Presidente do PL, Valdemar Costa Neto, segura jornal durante depoimento ao Conselho de Ética da Câmara
Presidente do PL, Valdemar Costa Neto, foi condenado por participar do mensalão no governo Lula. (Foto: REUTERS/Jamil Bittar JB/KS)

O presidente Jair Bolsonaro acertou nesta semana com Valdemar Costa Neto, presidente do PL, sua filiação ao partido no próximo dia 22. Apesar de ter se elegido com a promessa de acabar com o chamado "toma lá dá cá" da política, Bolsonaro será recebido pelo PL, partido que tem uma trajetória marcada por escândalos de corrupção.

Um dos principais envolvidos no mensalão - esquema de compra de apoio parlamentar no governo Lula-, Valdemar Costa Neto foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro e teve sua prisão decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2013.

Presidente de um dos principais partidos do chamado Centrão, ele começou a carreira como político profissional aos 28 anos. Formado em Administração de Empresas, o “Boy”, como era conhecido em Mogi das Cruzes, foi chefe de gabinete de seu pai, Valdemar Costa Filho, então prefeito da cidade.

Presidente Jair Bolsonaro afirmou que filiação ao PL está praticamente certa (Foto: Adriano Machado/ Reuters)
Presidente Jair Bolsonaro afirmou que filiação ao PL está praticamente certa (Foto: Adriano Machado/ Reuters)

Costa Filho era filiado à Arena, partido que dava sustentação à ditadura militar, e amigo fiel de Paulo Maluf. Na gestão de Maluf na Prefeitura de São Paulo, Costa Filho foi secretário de Abastecimento, entre 1993 e 1996.

Depois de ocupar o cargo de chefe de gabinete, o “Boy” foi promovido a secretário de Obras, Viação e Serviços Urbanos, onde permaneceu de 1977 a 1980. Com o término do mandato do pai e do bipartidarismo, migrou para o PDS e virou diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento de Mogi. Assumiu também a diretoria-administrativa da Companhia Docas de São Paulo.

Em 1990, se elegeu deputado federal pela primeira vez, já filiado ao PL, e em 1992, votou a favor do processo de impeachment contra o então presidente Fernando Collor.

Projeção com polêmica no Carnaval

A projeção veio no carnaval de 1994, quando levou a modelo Lilian Ramos para conhecer o então presidente da República, Itamar Franco, no Sambódromo do Rio.

Modelo Lilian Ramos foi levada por Valdemar Costa Neto ao camarote de Itamar Franco e fotografada sem calcinha
Modelo Lilian Ramos foi levada por Valdemar Costa Neto ao camarote de Itamar Franco e fotografada sem calcinha (Foto: Reuters)

Após o desfile da escola de samba Viradouro, Lilian foi até o camarote onde estavam alguns caciques do PL, entre eles, o “Boy” de Mogi das Cruzes. Valdemar, que já conhecia a modelo, levou Lilian ao camarote de Itamar, onde ela foi fotografada sem calcinha ao lado do chefe do Executivo.

A oposição chegou a acusar Itamar de quebra de decoro e pedir o impeachment dele por conta da imagem. Mas a polêmica não deu em nada. Aliado de Itamar, Valdemar afirmou à imprensa que não tinha a menor ideia de que Lilian estava sem calcinha.

Aliado de Lula, PL indicou vice em 2002 e participou do mensalão

O PL fez dura oposição à gestão de Fernando Henrique Cardoso e, em 2002, Valdemar foi um dos articuladores da aliança vencedora entre Lula (PT) e o empresário José de Alencar (PL). No início do governo Lula, indicou Anderson Adauto para comandar o Ministério dos Transportes.

Em 2005, o então deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) denunciou o esquema do mensalão e acusou Costa Neto de envolvimento direto. "Afirmo que vossa excelência recebe e repassa”, garantiu Jefferson, em seu depoimento no Conselho de Ética.

Ainda a ex-mulher de Valdemar depôs no Conselho de Ética e contou que o ex-marido costumava mandar o tesoureiro do PL a Belo Horizonte para buscar “várias malas”, que ele tinha um “cofrão” cheio de dólares e que já perdera até US$ 500 mil num cassino em Punta del Este, no Uruguai.

Maria Christina Mendes Caldeira, ex-mulher de Valdemar Costa Neto, em depoimento ao Conselho de Ética na Câmara (Foto: Reprodução/ TV Câmara)
Maria Christina Mendes Caldeira, ex-mulher de Valdemar Costa Neto, em depoimento ao Conselho de Ética na Câmara (Foto: Reprodução/ TV Câmara)

Quando conheceu a socialite Maria Christina Mendes Caldeira, filha de uma família tradicional de São Paulo, Valdemar havia se divorciado e tinha quatro filhos. Os dois se casaram num hotel e cassino em Las Vegas, no réveillon de 2003 para 2004. Eles se separaram meses depois.

Valdemar Costa Neto renunciou ao mandato para não ser cassado. Admitiu ter recebido dinheiro de caixa dois do PT para pagar dívidas de campanha, mas alegou que foi “induzido ao erro” e garantiu que os recursos não eram destinados à compra de apoio parlamentar para aprovação de projetos do governo.

Valdemar foi condenado pelo STF a 7 anos e 10 meses de prisão no regime semi-aberto. Cumpriu pena no Centro de Progressão Penitenciária (CPP) em Brasília e trabalhou na área administrativa de um restaurante industrial na periferia do Distrito Federal.

Em 2013, Valdemar também foi alvo de uma investigação determinada pelo STF a pedido da Procuradoria-Geral da República, que viu indícios da participação do parlamentar em um esquema de vendas de pareceres técnicos do governo a empresas privadas, com a participação de agências reguladoras.

O presidente do PL foi acusado ainda de corrupção na Operação Lava-Jato. Valdemar Costa Neto recebeu da UTC Engenharia R$ 200 mil “por fora” e R$ 300 mil em doações oficiais para . Em 2020, ele se tornou réu por peculato, corrupção passiva e fraude a licitação por um esquema de superfaturamento nas obras do trecho da Ferrovia Norte-Sul.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos