De estrelas à decepção: Senadores que ‘bombaram’ na CPI são criticados por voto em Mendonça

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Presidente Jair Bolsonaro abraça o então ministro da Justiça André Mendonça em cerimônia no Palácio do Planalto
Presidente Jair Bolsonaro e o então ministro da Justiça André Mendonça (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)
  • Senadores que ‘bombaram’ na CPI da Covid são criticados por voto em André Mendonça

  • Parlamentares defenderam avaliação técnica e disseram que ex-ministro de Bolsonaro cumpre requisitos

  • "Indicado usou do cargo de ministro da Justiça para silenciar oposição política", criticaram especialistas

As redes sociais reagiram na quarta (1º) à aprovação, no Senado, da indicação de André Mendonça a uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Ex-ministro da Justiça e ex-advogado-geral da União no governo de Jair Bolsonaro, ele ocupará a cadeira que era de Marco Aurélio Mello.

As críticas foram direcionadas especialmente a parlamentares que se destacaram pela boa atuação na CPI da Covid no Senado que votaram favoravelmente a Mendonça. Os senadores Eliziane Gama (Cidadania-MA), Simone Tebet (MDB-MS), Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Omar Aziz (PSD-AM) foram os principais alvos.

O argumento do senador Alessandro Vieira, por exemplo, era de que a avaliação era técnica e que Mendonça atendia os requisitos para investidura no cargo: notório saber jurídico e reputação ilibada.

Mas episódios protagonizados pelo ex-ministro de Bolsonaro, como abertura de investigação contra funcionários públicos antifascistas, contra o advogado e ex-comentarista da CNN Marcelo Feller e contra um professor que pagou outdoors críticos a Bolsonaro foram lembrados nas redes sociais.

“Não é Bolsonaro o sabatinado, e o indicado preenche requisitos de notório saber jurídico e reputação ilibada”, justificou Alessandro Vieira.

Especialistas e parlamentares questionaram a “reputação ilibada” de André Mendonça.

"O indicado usou do cargo de Ministro da Justiça para silenciar a oposição política. Usou a sua orientação religiosa como plataforma de indicação para um cargo do judiciário (leia-se: laico). Não permita o aparelhamento ainda mais profundo do STF", rebateu o jurista Caio Machado, mestre em Direito e Ciências Sociais.

A deputada federal Natália Bonavides (PT-RN), que acionou a Justiça contra Mendonça pelo uso da Lei de Segurança Nacional “como instrumento de intimidação de opositores”, classificou o resultado como "desastre".

A senadora Eliziane Gama, relatora da indicação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), defendeu a indicação do “terrivelmente evangélico” e afirmou que “ninguém pode ser vetado pela sua condição religiosa”.

Sabatina de André Mendonça na CCJ do Senado
Sabatina de André Mendonça na CCJ do Senado (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Assim como Mendonça, a parlamentar é evangélica. "Como relatora, eu vou me pautar por informações e também pela boa técnica legislativa, sem qualquer preconceito político, ideológico e muito menos religioso. O que importa neste momento é o currículo e a capacidade técnica do indicado”, declarou Eliziane.

Simone Tebet afirmou que daria “um voto de confiança” ao ex-ministro de Bolsonaro.

“É um voto de confiança. Vou passar uma borracha no passado”, alegou.

“O meu voto Vossa Senhoria tem não seu pelo seu passado, mas pelo que eu espero que faça pelo seu futuro. Vossa Senhoria me conquistou não, repito, por algumas atitudes que fez como Ministro, como profissional do Direito. Eu não vou entrar nesse detalhe, mas me conquistou pela coragem que teve de percorrer sozinho os corredores desta Casa com humildade, com bom senso, com equilíbrio. Eu nunca ouvi da boca de Vossa Senhoria qualquer crítica a qualquer Parlamentar que poderia ou pudesse estar legislando contrariamente à sua indicação. Me conquistou quando mostrou verdade pela televisão, quando falou de família, de humildade, dos valores que seu pai lhe ensinou”.

O senador Omar Aziz apenas pontuou que as falas de André Mendonça na sabatina vão ao encontro de pensamentos da esquerda brasileira.

"Quem era de esquerda, está assustado, porque virou de direita com o seu pronunciamento hoje. Vossa excelência falou tudo aquilo que a esquerda brasileira quer ouvir. Falou tudo. E tudo gravado", disse Aziz.

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