De rap a funk: 7 vozes indígenas para acompanhar na música brasileira

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Indígenas Nelson D e Kaê Guajajara nas redes sociais. Foto: Reprodução/Instagram
Indígenas Nelson D e Kaê Guajajara nas redes sociais. Foto: Reprodução/Instagram

Resumo da notícia:

  • De rap a funk: 7 vozes indígenas para acompanhar na música brasileira

  • No Dia da Resistência Indígena, selecionamos artistas que precisam ser conhecidos

  • Representantes da etnia carregam resistência na forma de fazer arte

No dia 19 de abril, é celebrado o Dia da Resistência Indígena a fim de lutar contra as amarras do antigo "Dia do Índio", que desfavorece a cultura da etnia em questão. Isso porque o termo "índio" é lido como racista pela carga histórica discriminatória que carrega, já que conota a forma como os colonizadores denominaram a população nativa brasileira.

"É uma palavra que não diz quem somos, mas o que as pessoas acham que somos. Costumam nos chamar de preguiçosos, selvagens, atrasados e inúteis. Todos esses adjetivos estão dentro da palavra 'índio'", declarou a ativista Karibuxi nas redes sociais. Mas o que se pode fazer em prol da população indígena?

É importante entender que, como parte da nossa sociedade, os indígenas também são agregadores determinantes para nossa cultura e entretenimento. Como agente fundamental na manifestação de resistência, a música é uma forma de arte repleta de nomes incríveis que respiram representatividade. Por isso, o Yahoo! selecionou 7 vozes indígenas para conhecer imediatamente:

NELSON D

Criado em um orfanato após ser encontrado ainda bebê nas ruas de Manaus, Nelson foi adotado por um casal de italianos e escolheu São Paulo para viver de sua música. A arte é a forma que ele encontrou para reencontrar suas raízes indígenas em um som que mescla rap com rock e batidas de eletrônica e sonoridades da cultura indígena sem rótulos.

Produtor musical desde 2010, Nelson D já trabalhou com artistas como Gloria Groove, Linn da Quebrada, Tássia Reis, Davi(ex Banda Uò) e Melvin Santana. O álbum “Anga” é um de seus mais recentes trabalhos, que pode ser conferido no Spotify.

BRÔ MC'S

Primeiro grupo de rap indígena do Brasil, o Brô MCs é original das aldeias de Jaguapirú e Bororó formado por Bruno Veron, Clemersom Batista, Kelvin Peixoto e Charlie Peixoto. Nascidos em Dourados, no MS, os quatro músicos da etnia guarani-kaiowá misturam Guarani e português em letras que clamam pelo direito a terras, afirmam a identidade indígena e abordam temas como consumo de drogas e saúde mental.

NORY KAIAPO

Pioneiro no funk indígena brasileiro, Nory é parte da etnia Kayapó e vive em uma Terra Indígena no município de Novo Progresso, no estado Pará. Ele se tornou conhecido após lançar o álbum “Hina Hina e conta com mais de 20 mil inscritos em seu canal no YouTube.

KAÊ GUAJAJARA

Criada na favela da Maré, no Rio de Janeiro, Kaê é natural de Mirinzal, no MA, e protesta contra o silenciamento dos povos indígenas pelas suas músicas. Intitulado “Hapohu”, seu primeiro EP foi lançado em 2019 com letras em maioria na sua língua nativa.

EDIVAN FULNI-Ô

Nascido em Salvador, Edivan cresceu na aldeia Pataxó Hã-Hã-Hãe e formou uma banda com outros estudantes indígenas já na fase universitária no curso de Engenharia Agronômica na Universidade Estadual de Feira de Santana (BA).

Seu primeiro videoclipe foi lançado em 2020, intitulado "Não Sou Índio Pra Gringo Ver”, com objetivo de afirmar sua representatividade. “Por muito tempo me senti ‘menos índio’ que outros parentes indígenas, hoje entendo um pouco melhor essa trama e busco fortalecer jovens indígenas espalhados pelo Brasil que são silenciados quanto à sua identidade. Representatividade é tudo", declarou à Marie Claire.

DJUENA TIKUNA

Um dos principais nomes da música indígena contemporânea, Djuena cantou o Hino Nacional em língua Tikuna na abertura das Olimpíadas de 2016 e é a primeira indígena a protagonizar um espetáculo musical no Teatro Amazonas. Ela apresentou o disco solo “Minha Aldeia” em 2017 e criou o primeiro festival de música indígena da Amazônia em 2018.

No mesmo ano, foi a primeira indígena da Amazônia brasileira a ser indicada ao Indigenous Music Awards, prêmio mundial da música indígena, em Winnipeg, no Canadá.

Além disso, ela é a primeira jornalista indígena formada no Amazonas, criadora de um portal de notícias independente sobre os povos originários e canta pela resistência de seu povo Tikuna em sua língua nativa.

KATÚ

A paulistana Katú é cantora, compositora, atriz e ativista pela causa indígena. Filha biológica de um homem do povo Boe Bororo, a artista foi adotada por um casal de não indígenas aos onze meses de idade. Em 2017, teve as suas raízes reconhecidas pelo povo Guarani M’bya e por lá foi batizada como Katú Mirim. Em seu trabalho musical, Katú flui pelo rap e o trap em canções que debatem a demarcação de terras, a ancestralidade, a vida dos povos indígenas e a sobrevivência de sua cultura no Brasil.

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