Debandada do ministério fura-teto é mais um mito derrubado por Bolsonaro

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Brazil's President Jair Bolsonaro looks on near Brazil's Economy Minister Paulo Guedes during an inauguration ceremony of the new Brazilian National Development Bank (BNDES) President at the Planalto Palace in Brasilia, Brazil July 16, 2019. REUTERS/Adriano Machado     TPX IMAGES OF THE DAY
Jair Bolsonaro e seu ministro da Economia, Paulo Guedes. Foto: Adriano Machado/Reuters

Questão de princípios.

Foi o que argumentou a interlocutores um dos quatro secretários do Ministério da Economia que se demitiram na quinta-feira 21.

Bruno Funchal, Jefferson Bittencourt, Gildenora Dantas e Rafael Araújo pediram o boné após o chefe Paulo Guedes declarar que está com Jair Bolsonaro e não abre em sua corrida pela reeleição. Bolsonaro precisa apostar as fichas na vitória em outubro de 2022. A outra opção é ir para a cadeia.

Os princípios dos secretários do Tesouro e Orçamento não foram arranhados quando o chefe do chefe foi a público na avenida Paulista ameaçar um golpe e dizer que não obedeceria ordens judiciais contra ele e sua turma. Também passaram imunes às gargalhadas da família diante das 605 mil mortes na pandemia.

Quando toparam trabalhar no governo, os brios não se arrepiaram por serem comandados por alguém que idolatra torturador, tem saudade da ditadura, quer armar a população e calcula o peso de pessoas negras em arrobas. O que os levou a botar o sapato Louis Vuitton na mesa foi a infame proposta do governo de aumentar de R$ 300 para R$ 400 o valor do Auxílio Brasil para a população mais vulnerável do país.

Entre a arquitetura do teto, bolado por Michel Temer, e o dia de ontem, vale lembrar, aconteceu “só” uma pandemia. Desde então, tudo cabe no adjetivo “extraordinário”. São os esforços da reconstrução, dos quais quem está no topo da pirâmide não quer ouvir falar.

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O imbróglio não é difícil de entender. Com o auxílio a R$ 300, o governo manteria o compromisso com os fiadores da sua política econômica segundo o qual não furaria o teto de gastos, mecanismo para travar os gastos acima da inflação. Os R$ 100 a mais representariam um rombo nas contas públicas. Tudo para Bolsonaro dizer, na campanha, que enterrou o Bolsa Família, trunfo dos governos petistas, e o fez surgir maior das cinzas com as cores verde e amarelo. A ideia é ampliar o número de beneficiários para mais de 17 milhões de famílias e chegar chegando na campanha de 2022. Ou então ir para a cadeia.

Os tratores do centrão, de olho na botija e sem abrir mão dos orçamentos paralelos com emenda do relator, toparam romper o teto de gastos não com um prego, mas com uma escavadeira apontada para cima. Mudanças nas regras, com alteração no indexador e proposta de calote no pagamento dos precatórios, fizeram o governo abrir um latifúndio no orçamento que alcança quase R$ 47 bilhões às vésperas da eleição.

O mercado entendeu a manobra e, como os prepostos nomeados para o Tesouro, também botou os sapatos Louis Vuitton na mesa. Resultado: o dólar fechou a R$ 5,66 e a Bolsa teve mais um dia de queda, encerrando o pregão com recuo de 2,75%. O viés é de caos.

O tranco na economia fará em breve com que os R$ 400 de auxílio, sem lastro no orçamento real —o que não deixa para o sucessor a fatura— vire poeira diante da escalada dos preços. Quem vai ao mercado já percebeu.

A debandada dos secretários é a debandada dos donos do dinheiro que votaram em Jair Bolsonaro pensando em eleger a carta branca de Paulo Guedes. O que se viu foi o contrário: Bolsonaro não se Pauloguedizou, mas Paulo Guedes bolsonarizou. Ou então eles sempre compartilharam a mesma índole. A diferença é que só um sabia usar os talheres e enrolar investidor em inglês.

Meses atrás, Guedes disse que era preciso fazer muita besteira para que o dólar furasse o teto dos R$ 5. Hoje está próximo de R$ 6 e ele tem razão para sorrir. Seus investimentos privados bem guardados no paraíso das Ilhas Virgens são em dólar e só crescem com as decisões do homem público.

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