Debandada no Ministério da Economia coloca Paulo Guedes em xeque

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BRASILIA, BRAZIL - MARCH 16: Economy Minister Paulo Guedes speaks during a press conference on March 16, 2020 in Brasilia, Brazil. Guedes announced a set of emergency measures with the objective of injecting up to R$ 147.3 billion into the economy. The measures are meant to contain the economic effects of the COVID-19. (Photo by Andre Coelho/Getty Images)
O ministro da Economia, Paulo Guedes. Foto: Andre Coelho/Getty Images

Vai ser difícil, para Paulo Guedes, se livrar da pecha de Imposto Ipiranga.

Nas redes, a alcunha pegou como cola enquanto o superministro da Economia tenta explicar seu plano para vitaminar as contas do governo com a criação de um imposto nos moldes da CPMF. O governo quer morder as transações eletrônicas. Talvez na ida e na volta. Quem paga e quem recebe. Detalhes, não se sabe.

Neste ambiente de distensão no regime fiscal, dois soldados do neoliberalismo no governo pediram demissão na terça-feira 11. Foi uma “debandada”, como admitiu o ministro ao comentar as saídas de Salim Mattar, secretário de Desestatização, e Paulo Uebel, responsável pela Desburocratização.

Sem eles, o pôster do Ministério da Economia ficou mais desfalcado do que time do Campeonato Brasileiro quando abre a janela de contratações na Europa. Puxam a fila Joaquim Levy (BNDES), Marcos Cintra (Receita Federal), Mansueto Almeida (Tesouro), Caio Megale (Programas) e Rubem Novaes (Banco do Brasil).

Do tripé responsável por levar Jair Bolsonaro até onde chegou, apenas os militares seguem firmes e fortes com o capitão. Sergio Moro, o preposto da Lava Jato no Planalto, é hoje inimigo. E Paulo Guedes é só sombra do oráculo que prometia zerar déficit em um ano vendendo até os quadros do Alvorada. Na pandemia, ele também prometia descolar 40 milhões de testes para covid-19 com um amigo inglês. Sentados, ainda esperamos.

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O ministro ainda segue e, até onde tudo indica, seguirá ao lado do presidente. Mas quem comprou sua conversa já desconfia que havia pedra na farinha.

A saída dos dois secretários tiram de cena duas propostas vendidas como prioridade pelo bolsonarismo: privatização e reforma administrativa. Nada disso andou -- nem poderia andar no auge de uma pandemia, mas vá lá. Foi o suficiente para os soldados abandonarem o front.

Segundo a coluna Painel S.A, da Folha de S.Paulo, as baixas no Ministério da Economia foram uma decepção entre empresários apoiadores de Bolsonaro. Inclusive Winston Ling, responsável por apresentar Guedes ao presidente.

Para ele, o Brasil está de volta ao abismo. Sua preocupação é com os “gastadores”. “Não há apoio político para limitar o estado. Periga o estado voltar a engolir tudo, aproveitando a farsa da pandemia (sic). Alta de gasto, de imposto, como resolver a conta? Precisa de equipe, ninguém faz nada sozinho E o centrão deve estar de olho na chave do cofre”, disse.

Seria interessante saber o que o empresário entende como “farsa da pandemia”. Talvez o Brasil tenha 100 mil atores fingidos de mortos e ninguém percebeu a cena.

Fora isso, ele ecoa uma preocupação nos círculos fechados com Bolsonaro, que já não parece em dilema entre entregar um Estado mais enxuto e criar as bases para se eleger.

Essas bases custam apoio. E apoio tem um custo. É isso o que Ling aponta quando coloca “centrão” e “chave do cofre” na mesma frase.

Como fica Guedes no meio dessa quebra-de-braço em que o vencedor já descasca as batatas?

Em janeiro desde ano, em entrevista ao Estadão, a economista Deidre McCloskey, professora da Universidade de Chicago, a meca do liberalismo onde passou Paulo Guedes, já vaticinava: o governo Bolsonaro é tudo, menos liberal.

Isso porque a ideia central do liberalismo é que não haja hierarquias hoje transformadas em monumento pelo governo: homem sobre mulher, heteros sobre gays, Estado sobre indivíduos.

Já pensou se ela soubesse que esse Estado avesso a intervenções bisbilhota quem se declara antifascista e por pouco não fechou o STF por ordem de seu presidente?

Pois é.

Atrelado ao destino de quem abraçou o liberalismo por conveniência, como já havia feito com a Lava Jato e outras conversas que em 2018 ainda dava voto, Paulo Guedes periga entrar para a história como o chefe, com quem se parece e se confunde cada dia mais. Um mito. Um mito que não pára em pé antes da segunda página da vida real.

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