Debate da Globo: Tarcísio aposta em desgastar PT por fake news; Haddad mira caso de Paraisópolis

Os candidatos ao governo de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) se enfrentam cara a cara pela última vez antes do segundo turno nesta noite no debate da TV Globo. Tarcísio tentará desgastar o oponente criticando as informações falsas que a campanha do PT tem disseminado. Já Haddad vai explorar o caso de Paraisópolis, quando um cinegrafista foi pressionado pela equipe do Republicanos a apagar imagens do tiroteio que interrompeu um evento de Tarcísio.

Os dois também devem se confrontar sobre seus padrinhos políticos. Haddad foi ministro da Educação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa o Palácio do Planalto contra o atual mandatário Jair Bolsonaro (PL), de quem Tarcísio foi chefe do Ministério da Infraestrutura. Haddad e Tarcísio preparam ataques ao aliado do adversário, como já ocorreu em debates anteriores.

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A estratégia de Tarcísio

Tarcísio não recorreu a ajuda externa para ajudá-lo na preparação para o debate. Ele se reuniu com sua própria equipe de comunicação, comandada pelo marqueteiro Pablo Nobel, da qual fazem parte o publicitário PC Bernardes, a jornalista Laís Vita e Fábio Módena.

Nobel elogia o formato que tem sido adotado em debates nestas eleições, que permite aos candidatos controlar o próprio tempo e circular pelo palco. A orientação é que Tarcísio não exagere na movimentação para não tirar o foco do conteúdo.

Enquanto nos debates do primeiro turno a equipe de Tarcísio havia o preparado para se apresentar ao eleitor paulista, agora ele, que terminou a corrida em primeiro lugar, deve focar mais em propostas do que no currículo.

A ofensiva de Tarcísio deve se pautar em rebater propagandas negativas veiculadas pelo PT, como a que associa a participação de Tarcísio na missão das Forças Armadas no Haiti a denúncias de abusos sexuais contra soldados brasileiros no país caribenho.

A ideia é associar o PT à disseminação de notícias falsas e dar foco nos direitos de resposta concedidos a Tarcísio pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) contra Haddad. A campanha do Republicanos reclama dos ataques recebidos nas últimas semanas, como o tuíte publicado por Márcio França (PSB) nesta semana afirmando que Tarcísio, se eleito, avalia nomear o ex-goleiro Bruno, preso após assassinar a esposa, na Secretaria de Esportes.

Na semana passada, por exemplo, o órgão deu vitória ao bolsonarista após sua campanha contestar um vídeo da campanha petista mostrando um ex-integrante da Igreja Universal do Reino de Deus chutar uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, associando Tarcísio ao ato.

A expectativa é que Tarcísio seja bombardeado com tentativas de associá-lo a escândalos do governo Bolsonaro e a polêmica envolvendo um tiroteio que interrompeu sua agenda na favela de Paraisópolis, na semana passada. Haddad tem usado a repercussão do caso como munição contra Tarcísio.

Uma pessoa da equipe de Tarcísio ordenou que um cinegrafista da Jovem Pan apagasse o registro em vídeo feito do tiroteio, segundo o jornal Folha de S.Paulo. Petistas têm repercutido o caso para levantar suspeitas sobre a versão contada pelos bolsonaristas, de que Tarcísio teria sido atacado por criminosos.

Nobel avalia que o PT aproveita a campanha de Haddad para bater em Bolsonaro e ajudar o ex-presidente Lula.

— Ele (Haddad) vai tentar federalizar a conversa o máximo possível, porque isso interessa ao PT. E vai ficar para a gente (fazer) a defesa do Bolsonaro e tentar trazer a conversa para São Paulo — afirma Nobel.

A tática de Haddad

Haddad deve usar como arma principal contra o adversário o episódio do tiroteio em Paraisópolis, além de tentar vincular ao máximo Tarcísio ao governo Bolsonaro,

Haddad será treinado pelo marqueteiro Otávio Antunes e pela consultora Olga Curado, preparadora de candidatos famosa ao misturar princípios do aikido (arte marcial japonesa), da teoria da psicologia Gestalt, do budismo e da meditação.

Olga tem auxiliado Haddad ao longo de toda a campanha e também ajudado Lula agora nos debates do segundo turno.

A consultora trabalhou com Haddad na campanha presidencial de 2018, quando o petista foi derrotado por Jair Bolsonaro no segundo turno.

Durante o treinamento, as simulações de respostas dadas pelo candidato do PT são filmadas e depois mostradas a ele para avaliação se a resposta foi adequada.

A preparação de Haddad começou na quarta-feira, mas o candidato dividiu o dia entre o treinamento e a participação em sabatinas e em entrevista para um podcast. Na quinta-feira, a dedicação do petista será exclusiva ao debate.