Debate na Globo: Lula registra melhor desempenho nas redes, mostra levantamento da Quaest

No último embate entre Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que concorrem à Presidência, o petista registrou o melhor resultado nas redes sociais. Durante o debate realizado pela TV Globo nesta sexta-feira, Lula registrou 51% de comentários positivos nas plataformas digitais, contra 36% sobre Bolsonaro, de acordo com um monitoramento em tempo real feito pela empresa de análise de dados e pesquisas Quaest no Twitter, Facebook, Instagram, sites e blogs. Ainda de acordo com a análise, petista teve o melhor desempenho em todos os quatro blocos.

— O debate da Globo era muito esperado e visto talvez como a última oportunidade para mudar a corrida. Os dados de redes, que se transformaram em uma tecnologia para realização de estudos qualitativos virtuais, não sugerem que houve espaço para grandes mudanças — pondera o diretor da Quaest, Felipe Nunes.

No terceiro bloco, em que os candidatos tiveram 15 minutos cada para um debate não moderado, foi registrada a maior diferença entre os dois: foram 62% de comentários positivos sobre Lula, contra 41% com referências ao atual presidente. O levantamento mostra que Lula melhorou nesse momento do debate, principalmente quando falou de armas e sobre violência contra mulheres, enquanto Bolsonaro não conseguiu se desvincular do ex-deputado Roberto Jefferson, preso esta semana por determinação do Supremo Tribunal Federal, e insistiu na defesa das armas.

Nas redes, o tema 'viagra' teve grande repercussão: foi o mais buscado no Google e gerou o maior volume de interações nas redes sociais.

Durante o primeiro bloco, também conduzido no modelo de debate não moderado com 15 minutos de fala por candidato, os pontos principais foram a discussão sobre o salário mínimo e acusações de "mentira" entre os presidenciáveis. Segundo a Quaest, os termos mais buscados no Google foram "Bolsonaro vai acabar com o 13", "Bolsonaro décimo terceiro salário", "Lula criou o G20" e "Lula absolvido".

No segundo bloco, ambos tiveram piora nas citações positivas. Nesse momento, Lula e Bolsonaro debateram sobre a fome no país. O petista registrou o menor fluxo de comentários positivos (45%), enquanto Bolsonaro foi elogiado nas redes por apenas 34% dos internautas, ainda segundo levantamento. Na avaliação de Felipe Nunes, isso ocorreu porque houve embate entre os candidatos sobre os números da fome no país.

Enquanto Bolsonaro reiterava números do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre a caracterização de linha da pobreza, Lula trazia informações sobre subnutrição trazidas em reportagem do jornal "Folha de S. Paulo" nesta semana. A análise da Quaest destaca, por outro lado, que Bolsonaro se saiu melhor no debate sobre aborto, ao responder uma provocação de Lula com base em declarações antigas do atual presidente sobre o tema.

No último bloco, os candidatos voltaram a ter queda no percentual das menções positivas ao discutir a criação de empregos e o desmatamento. Esse foi o pior momento para ambos: foram contabilizadas 31% de menções positiva para Bolsonaro, contra 41% de Lula.

Nesse bloco, os candidatos voltaram a trocar acusações sobre a medição de emprego e os tratamentos a prefeitos. Lula e Bolsonaro também se dedicaram a abordar números e promessas de redução de desmatamento, além de promessas sobre energia limpa. O tom acusatório e negativo, porém, predominou e não empolgou o eleitorado que acompanhava o debate pela internet, observa a Quaest.