Debate sobre inflação nos EUA se volta para quão rápido ela cai

(Bloomberg) -- A inflação altíssima dos EUA pode finalmente estar prestes a atingir seu pico à medida que o crescimento econômico global empaca e os preços do petróleo e de outras commodities despencam. Agora o foco muda para quão rápido ela irá recuar.

“Vamos ver a inflação cair”, disse Jeffrey Rosenberg, gestor sênior da BlackRock. “Mas para qual nível?”

No debate do ano passado, os que defendiam que a inflação era transitória, liderados pelo presidente do Federal Reserve Jerome Powell, foram derrotados. A inflação disparou e se mostrou mais teimosa do que o esperado. Agora, eles apostam em um declínio significativo nas pressões de preços sem muito dano à economia ou ao mercado de trabalho robusto.

Mas alguns dos mesmos analistas que soaram o alarme sobre a alta de preços no ano passado agora alertam que Powell e os demais podem estar novamente otimistas demais.

“Não é provável que saiamos dessa situação de excesso de inflação sem uma recessão”, disse o ex-secretário do Tesouro americano e colaborador pago da Bloomberg Television, Lawrence Summers, que foi franco ao criticar a posição do Fed sobre inflação no ano passado. “Devemos antecipar algo na faixa de uns dois anos com desemprego na faixa de 6% ou acima.”

Seguem algumas das forças que influenciarão a inflação nos próximos meses:

Preços das mercadorias

Com o declínio da demanda global, os preços de uma ampla gama de commodities – do petróleo ao cobre e ao trigo – despencaram. Os gargalos das cadeias de suprimentos também melhoram lentamente.

Excluindo os custos de alimentos e energia, o índice de preços de gastos com consumo pessoal nos EUA aumentará a uma taxa anual abaixo de 2% em meados de 2023, contra 4,8% agora, segundo o economista-chefe do UBS, Jonathan Pingle. Esse indicador é utilizada pelo Fed para sua meta de 2% ao longo do tempo.

Inflação de aluguel

A disparada dos aluguéis no país desempenhou um papel importante no aumento dos preços ao consumidor em 2022 e provavelmente continuará a fazer pressão por um tempo.

A demanda alta por moradia adequada ao trabalho remoto está diminuindo com o declínio das preocupações com Covid. A inflação estimulou locatários a escolher bairros mais acessíveis e dividir casa para economizar dinheiro, de acordo com a plataforma imobiliária de aluguel Zumper.

“Os aumentos de preços estratosféricos que vimos durante grande parte da pandemia provavelmente diminuirão”, disse o CEO da Zumper Anthemos Georgiades.

Salários em alta

Esta é provavelmente a maior razão pela qual a inflação pode se mostrar mais arraigada do que os otimistas esperam. Os custos trabalhistas são de longe a maior despesa para muitas empresas, especialmente no setor de serviços.

Com o mercado de trabalho ainda apertado - há 1,8 vagas de trabalho para cada pessoa desempregada - as empresas são forçadas a pagar mais para atrair os talentos de que precisam. Para manter seus lucros altos, as empresas precisariam repassar esses custos aos consumidores.

A inflação está “alimentando o crescimento dos salários que, por sua vez, alimenta a alta dos preços”, disse o ex-economista-chefe da Casa Branca e professor de Harvard, Jason Furman, em um artigo. Ele estima que a taxa de inflação subjacente seja de pelo menos 4% e argumenta que é mais provável que ela suba do que caia.

Disseminação da alta

Embora o salto da inflação tenha sido inicialmente confinado a algumas áreas, como carros usados e novos, agora está se espalhando por toda a economia americana, inclusive para áreas como assistência médica, onde os preços normalmente não mudam com tanta frequência.

Vincent Reinhart, economista-chefe da Dreyfus and Mellon e ex-funcionário do Fed, vê a economia americana entrando em recessão no final deste ano, o que elevará o desemprego para cerca de 6%. Mas a inflação medida pelo indicador de preços favorito do Fed ficará acima de 3%, segundo ele.

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